Jail Bait

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 30, 2016 by canibuk

Jail Bait (“A Face do Crime”, 1954, 71 min.) de Edward D. Wood Jr. Com: Lyle Talbot, Dolores Fuller, Steve Reeves, Herbert Rawlinson e Conrad Brooks.

jailbaitEm “Glen or Glenda?” (1953) Ed Wood explorou o tema do travestismo na sociedade americana, contou a tocante história de pessoas que não se sentiam bem em relação ao sexo em que nasceram e resolveram enfrentar os valores sociais da época de então para serem felizes (e o assunto de troca de sexos continua gerando muita polêmica até nos dias de hoje, mais de 60 anos depois do filme de Ed Wood). Neste “Jail Bait” Wood dá seqüência a sua obsessão por mudanças estéticas contando a história do delinqüente Don Gregor (Clancy Malone) que, após um crime, obriga seu pai (Herbert Rawlinson), um famoso cirurgião plástico, a fazer uma operação caseira com a ajuda de sua irmã (Dolores Fuller) que tinha treinamento básico em enfermagem. Paralelo a todo o drama fantasioso (somente da cabeça de Ed Wood poderia sair uma operação plástica caseira) Don está sendo procurado por uma dupla de homens da lei (Lyle Talbot e Steve Reeves).

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Como todo bom filme Noir, “Jail Bait” tenta ter um clima soturno (é todo filmado a noite dando a ideia de uma noite eterna de várias semanas) e reviravoltas, muitas reviravoltas na estrambólica trama. Don é uma das típicas personagens de Wood, um sujeito marginalizado que diante das circunstâncias acaba fazendo as escolhas erradas e, como Wood nunca condenava as personagens marginalizadas, é impossível ver Don como um típico bandido. Don é apenas um típico filhinho de papai em busca de aventuras para preencher sua existência vazia.

ed-woodEm termos de produção, se compararmos “Jail Bait” com os outros filmes de Wood, é uma produção bem cuidada, com mais acertos do que equívocos. Talvez pela mão da HOWCO, já que o filme foi pago por eles. A HOWCO foi uma produtora/distribuidora dos sócios Joy Newton Houck Sr. (pai do diretor de filmes vagabundos Joy N. Houck Jr. e proprietário de 29 salas de cinema), Ron Ormond (diretor de westerns e exploitations movies) e J. Francis White (proprietário de 31 salas de cinema) que fez com que filmes como “The Brain From Planet Arous” (1957) e “Attack of the Fifty-Foot Woman” (1958), ambos do diretor Nathan Juran, rendessem muito dinheiro. George Weiss (produtor de “Glen or Glenda?”) conta que em troca de um orçamento melhor para o filme, Ed Wood desistiu de sua participação nos lucros (o que mostra a esperteza dos produtores, que se livraram do Ed Wood na partilha de lucros e, ainda, melhoraram seu próprio filme).

jail-bait2Ed Wood talvez seja uma das personalidades mais conhecidas e queridas do cinema exploitation por causa de sua milionária e oscarizada cinebiografia “Ed Wood” (1994), único filme realmente excepcional e memorável do quase sempre morno Tim Burton, baseado no livro “Nightmare of Ecstasy: The Life and Art of Edward D. Wood Jr.” (1992) escrito por Rudolph Grey e responsável pelo fabuloso resgate à memória e arte deste artista único do cinema americano. Ed Wood foi para Hollywood em 1947 onde tentou a sorte na TV e teatro (sua peça teatral “Casual Company” é retratada no início da cinebiografia). Ao contrário do que está no filme de Tim Burton, Ed Wood foi apresentado ao Bela Lugosi por seu então colega de quarto Alex Gordon (roteirista de “Jail Bait”, produtor dos primeiros filmes de Roger Corman para a A.I.P. e irmão de Richard Gordon da Amalgamated Productions)  e deste encontro resultou uma amizade que rendeu 3 parcerias memoráveis: “Glen or Glenda?”, “Bride of the Monster” e “Plan 9 from Outer Space”. Também teríamos tido Bela Lugosi em “Jail Bait” (o papel do cirurgião plástico havia sido planejado para ele), mas por estar ocupado não pode aceitar o papel (que acabou sendo interpretado pelo também ator veterano Herbert Rawlinson, que veio a falecer uma noite após as filmagens terem sido concluídas). Alguns dos filmes não tão famosos de Ed Wood que indico são “Night of the Ghouls” (1959), uma tentativa de realizar um filme de horror sobrenatural onde absolutamente tudo dá errado em, talvez, a comédia mais involuntária da história do cinema (que só foi lançado em 1983); The Sinister Urge” (1960), seu último filme “comercial”, um suspense filmado em apenas cinco dias e que acho bem feito (diante das circunstâncias de uma filmagem de cinco dias); e “Necromania: A Tale of Weird Love!” (1971), uma tentativa de pornô (onde os atores não conseguem nem mesmo uma ereção satisfatória) que tem o mérito de apresentar ao mundo o caixão-cama de Criswell. Ed Wood também assinou mais de 50 roteiros, incluindo o Cult “The Violent Years” (1956), de William Morgan, sobre uma gangue de garotos delinqüentes, e vários para o diretor/produtor Stephen Apostolof.

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steve-reevesAssim como em seus outros filmes, Wood sempre se cercou de técnicos baratos, mas que tinham muita experiência. No elenco de “Jail Bait” vemos Lyle Talbot (que começou sua carreira na década de 1930 e esteve no elenco de mais de 300 produções); Steve Reeves (que anos depois de trabalhar com Wood ficaria marcado pela interpretação da personagem Hércules em uma série de filmes italianos); Dolores Fuller (sua então esposa na época, mas que já era uma veterana na arte da interpretação, tendo integrado o elenco (não creditada) do clássico “It Happened One Night/Aconteceu Naquela Noite” (1934) do genial Frank Capra) e Conrad Brooks (amigo de Wood que sempre esteve nas suas produções, tendo aparecido inclusive no “Ed Wood” de Tim Burton e na refilmagem “Plan 9” (2015) de John Johnson). A trilha sonora é de Hoyt Curtin (que são as músicas da trilha sonora de “Mesa of the Lost Women” (1953), de Ron Ormond e Herbert Tevos, re-aproveitadas em novo contexto). O diretor de fotografia é o veterano William C. Thompson que também fotografou todos os outros filmes de Wood até “The Sinister Urge” (seu último filme). Thompson, que começou no drama mudo “Absinthe” (1914) de Herbert Brenon e George Edwardes-Hall, sempre esteve envolvido no mercado de exploitations. As maquiagens são de Harry Thomas que sempre soube trabalhar bem com orçamentos apertados e assinou as maquiagens em clássicos do trash como “Cat-Women of the Moon” (1953) de Arthur Hilton; “Killers From Space” (1954) de W. Lee Wilder; “The Unearthly” (1957) de Boris Petroff e “The Little Shop of Horrors” (1960) de Roger Corman.

“Jail Bait” foi lançado no Brasil em VHS e DVD pela Continental Home Vídeo e merece ser conferido justamente por ser o filme menos vagabundo do lendário pior diretor de todos os tempos.

Escrito por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Assista Jail Bait aqui:

Caquinha Superstar A Go Go

Posted in Cinema, download, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 30, 2016 by canibuk

caquinha-001Se eu tivesse que escolher o pior filme que já produzi , acredito que este “Caquinha Superstar a Go-Go” seria o escolhido (e olha que já produzi muita porcaria nestes meus 25 anos de produtor gorechanchadeiro). Tenho lembranças maravilhosas desta produção, mas simplesmente nada funciona com nada na tela. Não tem ritmo, não tem história, não tem produção. Mas assumo toda a culpa, ou pelo menos metade de toda a culpa, com certo orgulho. Metade porque o filme foi co-produzido pelo Coffin Souza e sei que ele também tem boas lembranças desta produção, já se gosta do filme nunca perguntei.

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Caquinha meditando

Em 1996 eu tinha produzido apenas o “Eles Comem Sua Carne” com o Souza dividindo a função (no “O Monstro Legume do Espaço” ele tinha sido apenas ator) e como o filme teve uma boa aceitação no mercado underground, resolvemos produzir o “Caquinha Superstar a Go-Go” que seria continuação simultânea do Monstro Legume e do Eles Comem (temos cenas filmadas com o Caquinha interagindo com as personagens do Eles Comem, mas resolvi não incluir no filme sei lá porque). E mais, na época também queríamos filmar mais rápido do que o Roger Corman, então tivemos a brilhante ideia de jerico de montar um cronograma de apenas duas noite e um dia de filmagens (até porque o orçamento disponível pro filme não teria permitido muitos dias a mais). Como se isso não bastasse, o filme ainda era um musical e eu não tinha experiência nenhuma com o gênero além de ser fã. E, também, havia discordâncias minhas com Souza de como filmar aquele roteiro ruim. Então o desastre já se anunciava muito antes das filmagens terem início.

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Caquinha e Tracy

Mas quando você tem um desastre anunciado na mão o que tu faz?… Vai com tudo de cabeça, certo?… E foi o que fizemos. Chamamos o E.B. Toniolli para interpretar o Caquinha, reunimos os outros desajustados que nos acompanhavam na época e filmamos na correria, sem cuidados técnicos, sem estrutura alguma e, o pior, discutindo o tempo inteiro. Foi uma experiência boa porque no filme seguinte que produzimos em parceria, “Blerghhh!!!” (também de 1996), Souza e eu nos acertamos quanto ao que cada um fazia na produção e tudo passou a funcionar melhor… Bem, melhor daquele jeito Canibal Filmes, lógico!

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Jorge Timm e Coffin Souza

Não existem muitas histórias divertidas durante os dois dias de filmagens, até porque a gente trabalhou essas 48 horas sem parar (não lembro de ter dormido durante estes dois dias). Talvez o fato mais divertido caótico era o descontentamento do elenco com a produção, agravado pelo fato de que escrevi o filme se passando no verão mas filmei em pleno inverno do sul do Brasil e naqueles dois dias a temperatura estava numa média de zero graus, tendo sido um dos invernos mais rigorosos que o sul já teve notícia. Naquelas cenas em que as meninas de bikini encontram Caquinha, quase no fim do filme, o frio era tão intenso que as meninas tremiam sem parar sob minhas ordens que incluíam a cada minuto a frase: “ânimo meninas, é verão! É Verãoooo!”. Para as cenas internas da casa de Caquinha (filmamos numa casa abandonada que não tinha nem energia elétrica, nosso eletricista – Claudio Baiestorf – realizou um “gato” na rede pública) o frio era tanto nas madrugadas que cortamos um latão e mantivemos carvões queimando o tempo todo para esquentar o ambiente.

cdtrilhasonoracaquinhaNa época o melhor produto relacionado ao filme foi a trilha sonora composta pela banda paulista Trap. Enquanto passávamos frio os paulistas estavam compondo músicas maravilhosas para o filme, até hoje lamento não ter conseguido fazer um filme à altura da fantástica trilha sonora que Johnny e companhia nos entregaram. Essa trilha sonora foi lançada em CD no ano seguinte, 1997, numa prensagem feita no Canadá e contrabandeada para dentro do Brasil para burlar os impostos. Não é fácil a vida de produtor vagabundo, tu acaba virando uma espécie de mafioso da cultura. Como este CD esgotou anos atrás, você pode ouvi-lo baixando no link a seguir: TRILHA SONORA DE CAQUINHA SUPERSTAR A GO-GO.

“Caquinha Superstar a Go-G0” teve seu lançamento feito num bar de Porto Alegre com direito a presença de toda a equipe, elenco e a banda Trap animando o público com a trilha sonora. Enquanto o filme era exibido botamos um ator fantasiado de gorila arrancando as roupas de algumas atrizes contratadas para o lançamento. O público delirava com o que via, era interação completa entre o filme e a plateia. É uma lei obrigatória para produtores de filmes vagabundos: Se você tem um filme ruim trate de animar o público de alguma maneira!

Você pode conhecer este adorável filme extremamente ruim baixando aqui: CAQUINHA SUPERSTAR A GO-GO.

Petter Baiestorf.

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3 Dev Adam: Heróis Delirantes do Cinema Turco

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 29, 2016 by canibuk

3 Dev Adam (“3 Mighty Men”, 1973, 81 min.) de T. Fikret Uçak. Com: Aytekin Akkaya, Yavuz Selekman e Teyfik Sem.

3devadam_posterSomente o cinema turco consegue realizar filmes como este “3 Dev Adam” (e “Os Trapalhões”, talvez). Aqui uma organização criminosa comandada pelo Spider Man (isso mesmo, o super-herói Homem-Aranha) captura a namorada do Capitão América, assim o herói americano se une ao lutador mexicano El Santo para combater o gênio vilão do mal Spider Man. Mas espere, há quatro homens aranha??? Capitão América e Santo (que aqui, infelizmente, não usa sua máscara o tempo todo como o Santo original, o que rende sempre situações hilárias nos filmes do mexicano) precisam desvendar este mistério e descer o cacete em todos estes malditos clones do mal.

Sem autorização para usar as personagens e, muito menos sem pagar pelos direitos autorais, o diretor T. Fikret Uçak se apossa de três heróis do ocidente e cria um verdadeiro samba do criolo doido (que é o que sempre achei que os jovens cineastas independentes aqui do Brasil deveriam estar fazendo, sem muitas preocupações com “genialidade” e “direitos”).

Veja um resumo do filme aqui:

3-dev-adam-1Capitão América foi criado pela dupla de cartunistas Joe Simon e Jack Kirby, com sua primeira aparição na revista “Captain America Comics” #1 da Timely Comics, um dos braços da editora Martin Goodman que, depois, se tornou a Marvel Comics. Spider Man foi criado pelo escritor Stan Lee e o desenhista Steve Ditko, com sua primeira aparição na revista “Amazing Fantasy” #15 em 1962, também pela Marvel Comics. E Santo foi uma criação do lutador mascarado Rodolfo Guzmán Huerta, talvez o mais famoso e emblemático dos lutadores de wrestler profissional do México, com uma carreira que durou cinco décadas e virou personagens de filmes mirabolantes nos quais enfrentava zumbis, múmias, vampiros, vilões cartunescos e deliciosas mulheres marcianas. Na década de 1930 Guzmán usou vários outros nomes, como “Rudy Gusmán, El Hombre Rojo”, “El Demonio Negro” e “El Murcielago II”, até que em 26 de junho de 1942 lutou pela primeira vez usando o nome de El Santo e se tornou a lenda que é hoje.

3devadam_2T. Fikret Uçak nasceu em 1933 na cidade de Samsun, Turquia. Em 1959 co-dirigiu, com Ural Ozon, seu primeiro longa-metragem, um drama familiar nos moldes dos filmes do músico gaúcho Teixeirinha chamado “Merhamet”. Depois de passar quase uma década dirigindo dramas românticos Uçak dirigiu a aventura histórica “Tarkan Camoka’Ya Karsi” (1969), filme cheio de ação/aventura inspirado nos quadrinhos “Tarkan” do artista Sezgin Burak (talvez o filme mais conhecido desta série seja “Tarkan Viking Kani” (1971) de Mehmet Aslan). Em 1971 dirigiu dois westerns, “Vahsetin Esirleri” e “Çilginlar Ordusu”, que infelizmente nunca encontrei cópias para assistir mas que acredito possam ser peças bem engraçadas do cinema popular turco. Na década de 1980 Uçak se aposentou do ofício de fazedor de filmes vindo a falecer em 2003 em Istambul.

disc3devadamEm 2006 a distribuidora grega Onar Films lançou “3 Dev Adam” em DVD, uma edição cheia de extras, incluindo entrevistas com o diretor Uçak (onde conta várias histórias da indústria cinematográfica de seu país) e os atores Aytekin Akkaya (que interpretou o Capitão América) e Dogan Tamer (que interpretou o chefe de polícia). Em tempo, indico também a leitura do imperdível e essencial livro “Mondo Macabro: Weird and Wonderful Cinema Around the World”, de Pete Tombs, que traz informações preciosas sobre o delirante, e muito interessante, cinema turco.

Por Petter Baiestorf para o livro “Arrepios Divertidos”.

Assista o filme com legendas aqui:

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Bem Vindos à Praia do Pesadelo

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 28, 2016 by canibuk

Welcome to Spring Break (“Nightmare Beach/A Praia do Pesadelo”, 1989, 90 min.) de Umberto Lenzi. Com: Nicholas De Toth, Sarah Buxton e John Saxon.

nightmare-beach1Diablo, líder da gangue de motoqueiros Demons (seria uma homenagem ao filme de Lamberto Bava?), é eletrocutado na cadeira elétrica acusado de assassinar uma garota. Um tempo depois surge, na praia de Spring Break, um misterioso motoqueiro que começa a matar todos os jovens nos quais consegue por as mãos. Em sua cena de apresentação o misterioso motoqueiro dá carona a uma loirinha e a menina, típica bucha de canhão dos slashers da década de 1980, é literalmente fritada na garupa da motocicleta ao som de uma ótima composição de Claudio Simonetti, o que deixa o filme com uma bem-vinda cara de plágio do mestre Dario Argento. O herói do filme é um jovem jogador de futebol americano (Nicolas De Toth) que se une a irmã da vítima de Diablo (a linda Sarah Buxton) e passam a ser perseguidos pela gangue Demons por um motivo banal. John Saxon surge na pele do chefe de polícia local Strycher (quase repetindo seu papel de “A Nightmare on Elm Street/A Hora do Pesadelo” (1984) de Wes Craven) que parece guardar terríveis segredos envolvendo a jovem assassinada.

Como um bom slasher deve ser, “Nightmare Beach” possuí uma ótima trilha sonora composta de Heavy Metal/Hard Rock, momentos climáticos assinados pelo sempre eficiente Simonetti (que é o responsável pelas trilhas de inúmeros clássicos italianos, como “Profondo Rosso/Prelúdio Para Matar” (1975), “Suspiria” (1977), ainda com sua banda Goblin, e “Opera/Terror na Ópera” (1987), todos de Dario Argento), nudez gratuita, muita carne feminina para ser dilacerada e boas mortes violentas/criativas que irão agradar em cheio aos fãs do gênero.

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Por ser uma produção italiana e não americana, o filme mostra a corrupção dos políticos, médicos, padre e policia (os alicerces da sociedade) que usam seu poder para encobrir crimes de natureza sexuais e mandar para a cadeira elétrica um inocente líder de gangue de motoqueiros, aqui representando todos os marginalizados da sociedade. E claro que o final da história nos reserva uma surpresa bem bacana, daquelas para você rever seus conceitos de certo/errado na sociedade em que vive.

umberto-lenzi“Nightmare Beach” é dirigido pelo veterano das produções de baixo orçamento Umberto Lenzi, que já realizou produções nos mais variados gêneros cinematográficos ganhando destaque por suas investidas no horror. Depois de dirigir alguns spaghetti westerns como “Uma Pistola per Cento Bare/Uma Pistola para 100 Sepulturas” (1968), acabou comandando a primeira das produções italianas que exploraram o tema do canibalismo com “Il Paese Del Sesso Selvaggio/The Man from the Deep River” (1972, lançado no Brasil em DVD pela distribuidora Ocean Pictures com o título “Mundo Canibal”), tema este que ele revisitou em outras duas produções que se tornaram clássicas, “Mangiati Vivi!/Vivos Serão Devorados” (1980) e “Canibal Ferox” (1981, lançado no Brasil em DVD pela Platina Filmes). Lenzi dirigiu ainda outros filmes clássicos, como o thriller “Spasmo” (1974); o divertido policial “Da Corleone a Brooklyn/O Chefão Siciliano” (1979) e uma série de delírios como “La Guerra Del Ferro: Ironmaster (1983), “La Casa 3/Ghosthouse” (1988) e o “Demoni 3/Black Demons” (1991) filmado aqui no Brasil e mostrando a cultura do vuduísmo em nossas plantações, uma deliciosa peça sem pé nem cabeça do cinema italiano filmando barbaridades em nosso país (Anthonio Margheriti quando realizou aqui seu “Killer Fish/O Peixe assassino” (1979) colocou todos os brasileiros falando com sotaque de Portugal). Em tempo, em seu filme “Incubo Sulla Città Contaminata/Nightmare City” (1980) Lenzi já apresentava ao mundo zumbis raivosos que corriam atrás de suas vítimas, antecedendo em muitos anos um clichê do subgênero “Zombies” após a década de 1990.

nightmare-beach4Uma dúvida que existe quanto às filmagens de “Nightmare Beach” é se realmente existiu um co-diretor chamado Harry Kirkpatrick (que é o nome creditado no filme) ou se este nome é mais um dos inúmeros pseudônimos que Umberto Lenzi usava (Bob Collins, Humphrey Humbert, Bert Lenzi, Humphrey Logan, Hank Milestone, Humphrey Milestone são alguns dos nomes que Lenzi usava para vender seus filmes no mercado internacional). Lenzi afirmou em várias entrevistas que um Harry Kirkpatrick realmente existiu e foi o co-diretor do filme (mas, sabendo o quanto estes italianos são arriados, é possível que Lenzi esteja mentindo). De qualquer modo, para aumentar a confusão, Harry Kirkpatrick foi o nome usado por Alec Baldwin quando dirigiu “The Devil and Daniel Webster/O Julgamento do Diabo” (2003) e se recusou a assinar o filme com seu nome. Seria Alec Baldwin o misterioso Harry Kirkpatrick? Pouco provável, como bem levantou a questão o jornal britânico The Guardian quando publicou a matéria intitulada “Is Harry Kirkpatrick the New Alan Smithee?” (para quem não sabe, o nome Alan Smithee é o pseudônimo oficial criado em 1968 para ser usado por diretores de cinema que reneguem seus trabalhos).

praia-do-pesadelo“Nightmare Beach” é uma produção de Josi W. Konski, o homem por trás de vários filmes da dupla Terence Hill e Bud Spencer (entre eles o Spencer Solo “Banana Joe” (1982), de Steno, que é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos). Konski também produziu “Rage – Furia Primitiva/Fúria Primata” (1988) dirigido por Vittorio Rambaldi e escrito por Umberto Lenzi,a dupla por trás deste “Nightmare Beach”. Vittorio (assim como seu irmão Alex, que assina as maquiagens deste filme) é filho de Carlo Rambaldi, mundialmente famoso por ser o criador do extraterrestre do filme “E.T. – The Extra-Terrestrial” (1982) de Steven Spielberg. E a fotografia é assinada pelo também diretor Antonio Climati que trabalhou como câmera no seminal “Mondo Cane/Mondo Cão” (1962) do Trio de malucos Franco Prosperi, Gualtiero Jacopetti e Paolo Cavara, já lançado por aqui em DVD pela Wonder Multimídia, um dos braços da Continental Home Video. Climati foi o responsável pela direção de mondo films como “Ultime Grida Dalla Savana” (1975), sobre rituais bizarros envolvendo matanças de animais e “Dolce e Selvaggio” (1983), sobre carnificinas variadas contadas com belíssimas imagens. Em 1988 Antonio Climati cometeu seu maior lixo: “Paradiso Infernale”, também conhecido como “Cannibal Holocaust 2”, para capitalizar em cima da obra-prima de Ruggero Deodato.

“Nightmare Beach” não é a melhor produção de Lenzi, mas é um filme bem despretensioso que diverte muito e merece uma revisada nestes tempos em que o cinema de horror mundial parou de nos surpreender. Foi lançado em VHS no Brasil pela distribuidora 20/20 Vision (Columbia Tristar) com o título de “A Praia do Pesadelo”.

Escrito por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Assista o trailer de “Welcome to Spring Break” aqui:

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Blerghhh!!!

Posted in Cinema, download, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 27, 2016 by canibuk

Em Outubro agora, pra ser mais exato no dia 04, minha produção “Blerghhh!!!” estará fazendo seus 20 anos. Visto hoje em dia este filme até pode parecer uma produção bem simples, mas em plenos anos 90 – quando você não tinha equipamentos para filmar, não tinha maquiadores profissionais e nem dinheiro algum – foi uma das produções mais elaboradas e profissional entre o pessoal que produzia vídeos de horror no Brasil.

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Poster de Blerghhh!!! (1996)

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Jorge Timm com fx sendo aplicado por Coffin Souza

Foram 11 dias de filmagens sem interrupções, com uma equipe de umas 25 pessoas e apenas 2 mil reais no orçamento (imagino que hoje ele custaria entre 12 e 15 mil reais para ser produzido). Na equipe os únicos profissionais eram David Camargo (falecido em 2008), ator de teatro, e o maquiador Júlio Freitas, responsável pela cabeça mecânica que aparece no filme (ambos de Porto Alegre). O resto da equipe foi formada pelo pessoal que já estava me acompanhando desde a produção de “O Monstro Legume do Espaço” (1995) e “Eles Comem Sua Carne” (1996), produções onde tentamos “afinar” o pessoal. Trabalharam comigo todo o grupo que fez a Canibal Filmes ficar conhecida: E.B Toniolli (que já me acompanhava desde “Lixo Cerebral Vindo de outro Espaço“, produção inacabada de 1992), Carli Bortolanza (em seu primeiro trabalho como maquiador), Coffin Souza, Marcos Braun, Loures Jahnke (que interpretou o Monstro Legume original), Airton Bratz (o Chibamar Bronx), Claudio Baiestorf (falecido em 2009), Jorge Timm (falecido em 2012), Doroti Timm (falecida em 2001), Viola (falecido em 2013) e outros talentos da época.

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Coffin Souza

Como de costume num autêntico Canibal Filmes, nada foi calmo durante essa produção: Tempestades da mãe natureza, traficante preso durante as filmagens, muito caos etílico durante os 11 dias, atores quebrando um quarto de hotel nos intervalos das filmagens (nunca consegui pagar essa conta, mas o dono do estabelecimento continua meu amigo) e, quando menos se esperava, alguém correndo pelado pelo set (que é algo que adoro, porque tenho orgulho dos meus sets naturalistas sem lei e sem ordem, apesar de que dou uns chiliques as vezes). Inclusive teve até uma diária que eu, que estava dirigindo o caos todo, acabei perdendo por estar bêbado demais. Os bons tempos do amadorismo selvagem.

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David Carmargo, Madame X e Jorge Timm

“Blerghhh!!!” foi lançado no final de 1996 e, no ano seguinte, causou um transtorno com a Sociedade Brasileira de Artes Fantásticas quando foi retirado da programação da terceira HorrorCon que acontecia na Gibiteca Henfil (São Paulo/SP) porque, na minha falta de maturidade, não topei a censura de 18 anos que queriam colocar no filme. Não achava que os poucos peitinhos que aparecem no filme eram motivo para tal censura, mas na época eu ainda não tinha o jogo de cintura que adquiri com o passar dos anos de produções polêmicas e submundo exploitation.

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Júlio Freitas tirando molde da cabeça de ator para construção da cabeça decepada.

Atualmente “Blerghhh!!!” é um filme pouco lembrado – porque ficou bastante datado – mas acredito que foi um filme importante para o gênero fantástico brasileiro que, naqueles já longínquos anos de 1990, ainda nem sonhava com o florescer que teria após 2013 com o surgimento de toda uma nova geração de cineastas.

Para conhecer o filme clique no nome: “BLERGHHH!!!” (O filme que você vai ver neste arquivo é a re-edição de 2008). Divirta-se!

Escrito por Petter Baiestorf.

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Mirindas Asesinas

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Mirindas Asesinas (1991, 11 min.) de Alex de la Iglesia.

Em seu curta de estreia Alex de la Iglesia já exercita seu peculiar senso de humor doentio. Aqui um psicótico (Álex Angulo, sempre genial) não consegue entender porque estão cobrando por uma Mirinda (um refrigerante de laranja que também era produzido no Brasil até o início dos anos 90) e mata o bodegueiro, obrigando um cliente do bar a substituí-lo.

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É interessante perceber vários elementos que depois acompanharam a carreira de Alex de la Iglesia, como a construção do absurdo das situações que geralmente tem conclusões hilárias. Já neste seu curta de estreia vemos atores e técnicos que lhe acompanharam nos filmes seguintes, como Álex Angulo (1953-2014) que esteve presente nos longas “Accion Mutante” (1993), “El Dia de la Bestia” (1995) e “Muertos de Risa” (1999); Ramón Barea presente em “Accion Mutante” e “800 Balas” (2002) e o c0-roteirista Jorge Guerricaechevarría que também escreveu para Iglesia praticamente todos seus, sempre ótimos, roteiros. A Parceria Iglesia-Guerricaechevarría é uma das mais felizes e criativas do cinema atual. Aliás, já está em pós-produção “El Bar”, com lançamento previsto para 2017, a nova comédia doente da dupla.

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Em “Mirindas Asesinas”, a título de curiosidade, Alex de la Iglesia também é o diretor de arte, repetindo a função que ele havia desempenhado de modo brilhante no curta “Mama” (1988) de Pablo Berger, diretor do excepcional longa “Torremolinos 73” (2003), lançado no Brasil com o ridículo título de “Da Cama para a Fama”.

Baixe “MIRINDAS ASESINAS” clicando no título do curta.

Veja outros curtas de Alex de la Iglesia aqui:

“Hitler Está Vivo” (2006)

“El Código” (2006):

Pequeno trecho de “Mama” (1988) de Pablo Berger:

A Eletrizante Noite dos Arrepios Hilários

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 26, 2016 by canibuk

Night of the Creeps (“A Noite dos Arrepios”, 1986, 88 min.) de Fred Dekker. Com: Tom Atkins, Jason Lively, Bruce Solomon, Steve Marshall. Jill Whitlow, David Paymer, Robert Kerman e Dick Miller.

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Eis um filme que considero perfeito. No espaço uma dupla de aliens perseguem membro de sua tripulação que ejeta no espaço uma cápsula contendo alguns perigosos parasitas. Claro que essa cápsula cai no planeta Terra, no ano de 1959, exatamente no local onde um psicopata estava retalhando garotas de um campus universitário. Pulo para 1986 onde, na Universidade de Corman, o calouro Chris Romero (Jason Lively), contando com ajuda de seu amigo James Carpenter Hooper (Steve Marshall), conhece Cynthia Cronenberg (Jill Whitlow) e resolve entrar para a fraternidade Beta a fim de impressionar a menina. Assim a dupla de desajeitados heróis é incumbida pelos Betas a roubar um cadáver, o que os leva até um laboratório criogênico onde descongelam um corpo infestado de parasitas alienígenas, dando início a um espetáculo “B” que envolve corpos re-animados, um assassino zumbi, o perturbado policial Ray Cameron (Tom Atkins), cérebros frescos e o criativo uso de um cortador de grama para matar zumbis (cena que anos depois Peter Jackson levaria a extremos gore em sua obra-prima “Braindead/Fome Animal”).

night-of-the-creeps2Com personagens cujos nomes são homenagens a grandes diretores do gênero fantástico, “Night of the Creeps” é uma das melhores reverências do cinema moderno aos clássicos de horror do passado. Sua mistura de sci-fi com horror homenageia de forma certeira filmes de zumbis, slashers, alienígenas e parasitas dos mais diversos. Parece que o diretor pensou: “Se não conseguir fazer um novo filme já terei misturado tudo que gosto neste!”. E o filme é uma feliz colcha de retalhos do diretor Fred Dekker em que tudo funciona muito bem, resultando num cult movie exemplar. Fiquem atentos à homenagem ao “Plan 9 From Outer Space” (1959) de Ed Wood, quando o detetive Ray Cameron apanha uma flor em frente a fraternidade e a cheira, remetendo diretamente a cena de Bela Lugosi no clássico trash (tudo bem, há duas homenagens ao “Plan 9”, já que vemos uma cena do filme original na TV segundos antes da personagem que assiste ser feita em picadinho pelo psicopata re-animado, tudo isso uma década antes de “Ed Wood” de Tim Burton). E a título de curiosidade, numa cena no banheiro onde a personagem James enfrenta os parasitas, é possível ver pixado na parede o nome “Monster Squad”, título do filme seguinte de Dekker.

night-of-the-creeps4Imagino que as filmagens de “Night of the Creeps” tenham sido bem divertidas a se julgar pelo elenco e participações especiais. Entre as personagens principais temos Tom Atkins (que esteve no elenco de inúmeros clássicos, como “The Fog/A Bruma Assassina” (1980), “Escape from New York/Fuga de Nova York” (1981), ambos de John Carpenter, e outras diversões como “Creepshow” (1982) de George A. Romero, “Halloween 3” (1982) de Tommy Lee Wallace e “Maniac Cop” (1988) de William Lustig); Jason Lively (de filmes como “Brainstorm/Projeto Brainstorm” (1983) de Douglas Trumbull e “Hollywood Monster/Ghost Chase” (1987) de Roland Emmerich); Bruce Solomon (que fez sua estréia no clássico “Children Shouldn’t Play With Dead Things” (1973) de Bob Clark); David Paymer (que é um rosto freqüente nos elencos de apoio de Hollywood, já tendo aparecido em mais de 150 produções) e o lendário Dick Miller (presente em mais de 170 produções, tendo iniciado sua carreira pelas mãos de Roger Corman em “Apache Woman/Pistoleiro Solitário” (1955) e sempre aparecendo em papéis bem divertidos em uma infinidade de filmes legais, que destaco “The Little Shop of Horrors/A Pequena Loja dos Horrores” (1960) de Roger Corman, “Piranha” (1978), “The Howling/Grito de Horror” (1981), “Gremlins” (1984), os três de Joe Dante, e “The Terminator/O Exterminador do Futuro” (1984), de James Cameron, e que continua na ativa tendo aparecido no novo Joe Dante, “Burying the Ex”, de 2014). Mas isso não é só, entre as participações especiais vemos o ator Robert Kerman (mais conhecido pelo papel da personagem “Monroe” no clássico “Cannibal Holocaust” (1980) de Ruggero Deodato e seus filmes pornográficos onde atuava com o pseudônimo de Richard Bolla); Robert Kino (ator veterano) que interpreta o hilário “Sr. Miner”); Chris Dekker (irmão do diretor); os diretores Craig Schaefer, como um policial no laboratório, e Shane Black (roteirista de “The Monster Squad” e diretor de “Iron Man 3/Homem de Ferro 3”) não creditado. O melhor são os figurantes que interpretam os “Beta Zombies”, quase todos são técnicos de maquiagens e efeitos especiais, com destaque para Robert Kurtzman (que foi o cara que deu o primeiro emprego pago para Quentin Tarantino), Howard Berger, David B. Miller, Earl Ellis e Ted Rae dão as caras para os zumbis do final do filme. E por último, não menos importante, Greg Nicotero também aparece rapidamente no filme. Uma verdadeira delícia para cinéfilos este tipo de brincadeira.

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Dick Miller

fred-dekkerFred Dekker, nascido em 1959, começou com o pé direito dirigindo este pequeno clássico e seu filme seguinte, “The Monster Squad/Deu a Louca nos Monstros” (1987), duas lindas homenagens ao cinema de horror. Se no primeiro Dekker se concentrou em fazer uma re-leitura do horror sci-fi acrescentando boas doses de delírios típicos da década de 1980, no segundo seu olhar foi mais nostálgico com uma história que resgatava os monstros clássicos da Universal. Nada mal se um certo Robocop não tivesse cruzado seu caminho. Com a bola toda nos estúdios de Hollywood (Dekker também foi roteirista do sucesso “House/A Casa do Espanto” (1986) de Steve Miner), foi contratado para dirigir “Robocop 3” e, com um roteiro pra lá de infantilóide, foi um tremendo fracasso que sepultou de vez sua carreira. Atualmente Dekker cogita retornar a direção com uma seqüência de seu Cult “Night of the Creeps”, com orçamento pequeno e produção independente.

night-of-the-creeps3Entre os maquiadores da equipe de “Night of the Creeps”, que realizaram um grande trabalho neste filme, estão Howard Berger e Robert Kurtzman (juntos de Greg Nicotero, criaram a fantástica empresa de maquiagens KNB EFX Group Inc. que aterrorizou muitos cinéfilos nos anos 90), Shaw McEnroe (que esteve nas equipes de maquiagens de clássicos como “Humanoids from the Deep/Criaturas das Profundezas” (1980) de Barbara Peeters, “The Howling” (1981) de Joe Dante, “Na American Werewolf in London/Um Lobisomem Americano em Londres” (1981) e “Thriller” (1983), ambos de John landis, e “Videodrome” (1983) de David Cronenberg) e David B. Miller (que foi o responsável pela criação dos parasitas alienígenas do filme).

“Night of the Creeps” as vezes é exibido com seu final alternativo (onde os aliens do início reaparecem para capturar os parasitas). Está disponível em DVD no Box “Zumbis no Cinema Vol. 1” lançado pela distribuidora Versátil.

Escrito por Petter Baiestorf para livro “Arrepios Divertidos”.

Veja o trailer de “Night of the Creeps”: