Blerghhh!!!

Posted in Cinema, download, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 27, 2016 by canibuk

Em Outubro agora, pra ser mais exato no dia 04, minha produção “Blerghhh!!!” estará fazendo seus 20 anos. Visto hoje em dia este filme até pode parecer uma produção bem simples, mas em plenos anos 90 – quando você não tinha equipamentos para filmar, não tinha maquiadores profissionais e nem dinheiro algum – foi uma das produções mais elaboradas e profissional entre o pessoal que produzia vídeos de horror no Brasil.

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Poster de Blerghhh!!! (1996)

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Jorge Timm com fx sendo aplicado por Coffin Souza

Foram 11 dias de filmagens sem interrupções, com uma equipe de umas 25 pessoas e apenas 2 mil reais no orçamento (imagino que hoje ele custaria entre 12 e 15 mil reais para ser produzido). Na equipe os únicos profissionais eram David Camargo (falecido em 2008), ator de teatro, e o maquiador Júlio Freitas, responsável pela cabeça mecânica que aparece no filme (ambos de Porto Alegre). O resto da equipe foi formada pelo pessoal que já estava me acompanhando desde a produção de “O Monstro Legume do Espaço” (1995) e “Eles Comem Sua Carne” (1996), produções onde tentamos “afinar” o pessoal. Trabalharam comigo todo o grupo que fez a Canibal Filmes ficar conhecida: E.B Toniolli (que já me acompanhava desde “Lixo Cerebral Vindo de outro Espaço“, produção inacabada de 1992), Carli Bortolanza (em seu primeiro trabalho como maquiador), Coffin Souza, Marcos Braun, Loures Jahnke (que interpretou o Monstro Legume original), Airton Bratz (o Chibamar Bronx), Claudio Baiestorf (falecido em 2009), Jorge Timm (falecido em 2012), Doroti Timm (falecida em 2001), Viola (falecido em 2013) e outros talentos da época.

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Coffin Souza

Como de costume num autêntico Canibal Filmes, nada foi calmo durante essa produção: Tempestades da mãe natureza, traficante preso durante as filmagens, muito caos etílico durante os 11 dias, atores quebrando um quarto de hotel nos intervalos das filmagens (nunca consegui pagar essa conta, mas o dono do estabelecimento continua meu amigo) e, quando menos se esperava, alguém correndo pelado pelo set (que é algo que adoro, porque tenho orgulho dos meus sets naturalistas sem lei e sem ordem, apesar de que dou uns chiliques as vezes). Inclusive teve até uma diária que eu, que estava dirigindo o caos todo, acabei perdendo por estar bêbado demais. Os bons tempos do amadorismo selvagem.

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David Carmargo, Madame X e Jorge Timm

“Blerghhh!!!” foi lançado no final de 1996 e, no ano seguinte, causou um transtorno com a Sociedade Brasileira de Artes Fantásticas quando foi retirado da programação da terceira HorrorCon que acontecia na Gibiteca Henfil (São Paulo/SP) porque, na minha falta de maturidade, não topei a censura de 18 anos que queriam colocar no filme. Não achava que os poucos peitinhos que aparecem no filme eram motivo para tal censura, mas na época eu ainda não tinha o jogo de cintura que adquiri com o passar dos anos de produções polêmicas e submundo exploitation.

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Júlio Freitas tirando molde da cabeça de ator para construção da cabeça decepada.

Atualmente “Blerghhh!!!” é um filme pouco lembrado – porque ficou bastante datado – mas acredito que foi um filme importante para o gênero fantástico brasileiro que, naqueles já longínquos anos de 1990, ainda nem sonhava com o florescer que teria após 2013 com o surgimento de toda uma nova geração de cineastas.

Para conhecer o filme clique no nome: “BLERGHHH!!!” (O filme que você vai ver neste arquivo é a re-edição de 2008). Divirta-se!

Escrito por Petter Baiestorf.

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Mirindas Asesinas

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Mirindas Asesinas (1991, 11 min.) de Alex de la Iglesia.

Em seu curta de estreia Alex de la Iglesia já exercita seu peculiar senso de humor doentio. Aqui um psicótico (Álex Angulo, sempre genial) não consegue entender porque estão cobrando por uma Mirinda (um refrigerante de laranja que também era produzido no Brasil até o início dos anos 90) e mata o bodegueiro, obrigando um cliente do bar a substituí-lo.

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É interessante perceber vários elementos que depois acompanharam a carreira de Alex de la Iglesia, como a construção do absurdo das situações que geralmente tem conclusões hilárias. Já neste seu curta de estreia vemos atores e técnicos que lhe acompanharam nos filmes seguintes, como Álex Angulo (1953-2014) que esteve presente nos longas “Accion Mutante” (1993), “El Dia de la Bestia” (1995) e “Muertos de Risa” (1999); Ramón Barea presente em “Accion Mutante” e “800 Balas” (2002) e o c0-roteirista Jorge Guerricaechevarría que também escreveu para Iglesia praticamente todos seus, sempre ótimos, roteiros. A Parceria Iglesia-Guerricaechevarría é uma das mais felizes e criativas do cinema atual. Aliás, já está em pós-produção “El Bar”, com lançamento previsto para 2017, a nova comédia doente da dupla.

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Em “Mirindas Asesinas”, a título de curiosidade, Alex de la Iglesia também é o diretor de arte, repetindo a função que ele havia desempenhado de modo brilhante no curta “Mama” (1988) de Pablo Berger, diretor do excepcional longa “Torremolinos 73” (2003), lançado no Brasil com o ridículo título de “Da Cama para a Fama”.

Baixe “MIRINDAS ASESINAS” clicando no título do curta.

Veja outros curtas de Alex de la Iglesia aqui:

“Hitler Está Vivo” (2006)

“El Código” (2006):

Pequeno trecho de “Mama” (1988) de Pablo Berger:

A Eletrizante Noite dos Arrepios Hilários

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Night of the Creeps (“A Noite dos Arrepios”, 1986, 88 min.) de Fred Dekker. Com: Tom Atkins, Jason Lively, Bruce Solomon, Steve Marshall. Jill Whitlow, David Paymer, Robert Kerman e Dick Miller.

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Eis um filme que considero perfeito. No espaço uma dupla de aliens perseguem membro de sua tripulação que ejeta no espaço uma cápsula contendo alguns perigosos parasitas. Claro que essa cápsula cai no planeta Terra, no ano de 1959, exatamente no local onde um psicopata estava retalhando garotas de um campus universitário. Pulo para 1986 onde, na Universidade de Corman, o calouro Chris Romero (Jason Lively), contando com ajuda de seu amigo James Carpenter Hooper (Steve Marshall), conhece Cynthia Cronenberg (Jill Whitlow) e resolve entrar para a fraternidade Beta a fim de impressionar a menina. Assim a dupla de desajeitados heróis é incumbida pelos Betas a roubar um cadáver, o que os leva até um laboratório criogênico onde descongelam um corpo infestado de parasitas alienígenas, dando início a um espetáculo “B” que envolve corpos re-animados, um assassino zumbi, o perturbado policial Ray Cameron (Tom Atkins), cérebros frescos e o criativo uso de um cortador de grama para matar zumbis (cena que anos depois Peter Jackson levaria a extremos gore em sua obra-prima “Braindead/Fome Animal”).

night-of-the-creeps2Com personagens cujos nomes são homenagens a grandes diretores do gênero fantástico, “Night of the Creeps” é uma das melhores reverências do cinema moderno aos clássicos de horror do passado. Sua mistura de sci-fi com horror homenageia de forma certeira filmes de zumbis, slashers, alienígenas e parasitas dos mais diversos. Parece que o diretor pensou: “Se não conseguir fazer um novo filme já terei misturado tudo que gosto neste!”. E o filme é uma feliz colcha de retalhos do diretor Fred Dekker em que tudo funciona muito bem, resultando num cult movie exemplar. Fiquem atentos à homenagem ao “Plan 9 From Outer Space” (1959) de Ed Wood, quando o detetive Ray Cameron apanha uma flor em frente a fraternidade e a cheira, remetendo diretamente a cena de Bela Lugosi no clássico trash (tudo bem, há duas homenagens ao “Plan 9”, já que vemos uma cena do filme original na TV segundos antes da personagem que assiste ser feita em picadinho pelo psicopata re-animado, tudo isso uma década antes de “Ed Wood” de Tim Burton). E a título de curiosidade, numa cena no banheiro onde a personagem James enfrenta os parasitas, é possível ver pixado na parede o nome “Monster Squad”, título do filme seguinte de Dekker.

night-of-the-creeps4Imagino que as filmagens de “Night of the Creeps” tenham sido bem divertidas a se julgar pelo elenco e participações especiais. Entre as personagens principais temos Tom Atkins (que esteve no elenco de inúmeros clássicos, como “The Fog/A Bruma Assassina” (1980), “Escape from New York/Fuga de Nova York” (1981), ambos de John Carpenter, e outras diversões como “Creepshow” (1982) de George A. Romero, “Halloween 3” (1982) de Tommy Lee Wallace e “Maniac Cop” (1988) de William Lustig); Jason Lively (de filmes como “Brainstorm/Projeto Brainstorm” (1983) de Douglas Trumbull e “Hollywood Monster/Ghost Chase” (1987) de Roland Emmerich); Bruce Solomon (que fez sua estréia no clássico “Children Shouldn’t Play With Dead Things” (1973) de Bob Clark); David Paymer (que é um rosto freqüente nos elencos de apoio de Hollywood, já tendo aparecido em mais de 150 produções) e o lendário Dick Miller (presente em mais de 170 produções, tendo iniciado sua carreira pelas mãos de Roger Corman em “Apache Woman/Pistoleiro Solitário” (1955) e sempre aparecendo em papéis bem divertidos em uma infinidade de filmes legais, que destaco “The Little Shop of Horrors/A Pequena Loja dos Horrores” (1960) de Roger Corman, “Piranha” (1978), “The Howling/Grito de Horror” (1981), “Gremlins” (1984), os três de Joe Dante, e “The Terminator/O Exterminador do Futuro” (1984), de James Cameron, e que continua na ativa tendo aparecido no novo Joe Dante, “Burying the Ex”, de 2014). Mas isso não é só, entre as participações especiais vemos o ator Robert Kerman (mais conhecido pelo papel da personagem “Monroe” no clássico “Cannibal Holocaust” (1980) de Ruggero Deodato e seus filmes pornográficos onde atuava com o pseudônimo de Richard Bolla); Robert Kino (ator veterano) que interpreta o hilário “Sr. Miner”); Chris Dekker (irmão do diretor); os diretores Craig Schaefer, como um policial no laboratório, e Shane Black (roteirista de “The Monster Squad” e diretor de “Iron Man 3/Homem de Ferro 3”) não creditado. O melhor são os figurantes que interpretam os “Beta Zombies”, quase todos são técnicos de maquiagens e efeitos especiais, com destaque para Robert Kurtzman (que foi o cara que deu o primeiro emprego pago para Quentin Tarantino), Howard Berger, David B. Miller, Earl Ellis e Ted Rae dão as caras para os zumbis do final do filme. E por último, não menos importante, Greg Nicotero também aparece rapidamente no filme. Uma verdadeira delícia para cinéfilos este tipo de brincadeira.

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Dick Miller

fred-dekkerFred Dekker, nascido em 1959, começou com o pé direito dirigindo este pequeno clássico e seu filme seguinte, “The Monster Squad/Deu a Louca nos Monstros” (1987), duas lindas homenagens ao cinema de horror. Se no primeiro Dekker se concentrou em fazer uma re-leitura do horror sci-fi acrescentando boas doses de delírios típicos da década de 1980, no segundo seu olhar foi mais nostálgico com uma história que resgatava os monstros clássicos da Universal. Nada mal se um certo Robocop não tivesse cruzado seu caminho. Com a bola toda nos estúdios de Hollywood (Dekker também foi roteirista do sucesso “House/A Casa do Espanto” (1986) de Steve Miner), foi contratado para dirigir “Robocop 3” e, com um roteiro pra lá de infantilóide, foi um tremendo fracasso que sepultou de vez sua carreira. Atualmente Dekker cogita retornar a direção com uma seqüência de seu Cult “Night of the Creeps”, com orçamento pequeno e produção independente.

night-of-the-creeps3Entre os maquiadores da equipe de “Night of the Creeps”, que realizaram um grande trabalho neste filme, estão Howard Berger e Robert Kurtzman (juntos de Greg Nicotero, criaram a fantástica empresa de maquiagens KNB EFX Group Inc. que aterrorizou muitos cinéfilos nos anos 90), Shaw McEnroe (que esteve nas equipes de maquiagens de clássicos como “Humanoids from the Deep/Criaturas das Profundezas” (1980) de Barbara Peeters, “The Howling” (1981) de Joe Dante, “Na American Werewolf in London/Um Lobisomem Americano em Londres” (1981) e “Thriller” (1983), ambos de John landis, e “Videodrome” (1983) de David Cronenberg) e David B. Miller (que foi o responsável pela criação dos parasitas alienígenas do filme).

“Night of the Creeps” as vezes é exibido com seu final alternativo (onde os aliens do início reaparecem para capturar os parasitas). Está disponível em DVD no Box “Zumbis no Cinema Vol. 1” lançado pela distribuidora Versátil.

Escrito por Petter Baiestorf para livro “Arrepios Divertidos”.

Veja o trailer de “Night of the Creeps”:

Super Chacrinha e seu amigo Ultra-Shit em crise Vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha

Posted in Cinema, download, Fan Film, Manifesto Canibal, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 24, 2016 by canibuk

Dando prosseguimento aos filmes que estou colocando para download, segue hoje a produção “Super Chacrinha e seu Amigo Ultra-Shit em Crise Vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha” (1997, 118 min.).

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“Super Chacrinha…” foi uma pausa nos filmes extremos que eu vinha fazendo naquela época. Não tem ligação nenhuma com os goremovies anteriores que tinha feito – como “O Monstro Legume do Espaço” (1995), “Eles Comem Sua Carne” (1996) ou “Blerghhh!!!” (1996) – , nem com os posteriores que foram ainda mais radicais ao misturar gore com pornografia – como “Deus – O Matador de Sementinhas” (1997), “Boi Bom” (1998), “Gore Gore Gays” (1998) ou “Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos” (1998).

“Super Chacrinha…” tem forte inspiração do filme “Abismu” (1977) do Rogério Sganzerla, entre outras produções experimentais (a citar algumas: “Matou a Família e Foi ao Cinema” (1970) de Júlio Bressane, “Cabeças Cortadas” (1970) de Glauber Rocha, “Meteorango Kid: O Herói Intergalático” (1969) de André Luiz de Oliveira e “Bang Bang” (1971) de Andrea Tonacci). Não ficou tão bacana quanto estes clássicos que o inspiraram, lógico,mas é um filme que gostei muito de realizar. Acredito que os envolvidos na produção se divertiram muito mais do que o público vá se divertir. Impossível saber quem pode gostar deste filme (já tive espectador me confidenciando que adorou cada momento do filme e espectador versando sobre o quanto é medíocre).

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As filmagens aconteceram em 4 meses durante o ano de 1997, com um roteiro que eu ia elaborando a cada dia durante a produção. Funcionava mais ou menos assim: Eu chegava num cenário com a equipe e bolava as cenas na hora. Inicialmente o filme teria 4 horas, mas quando estava editando, com ajuda de Carli Bortolanza, optamos por deixá-lo com a metade da duração originalmente planejada. O filme é uma espécie de road-movie marginal, foi filmado em uns 12 municípios de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, incluindo a cidade de Gramado onde acontecia o vigésimo quinto Festival de Gramado e, em sistema de guerrilha completo, entramos nas comemorações com nossas câmeras e filmamos algumas pontas de globais pro filme (não lembro de cabeça, mas acho que aparecem no filme, além do Ivan Cardoso, Marcos Palmeiras, Hugo Carvana, José Lewgoy e a mãe de Glauber Rocha). Todo o dinheiro arrecadado com bilheterias dos meus filmes anteriores sumiu realizando o “Super Chacrinha…”. Foi divertido para quem integrou a equipe desta produção (se não me falha a memória, Jorge Timm, Claudio Baiestorf, Carli Bortolanza, E.B. Toniolli e José Salles foram as pessoas que me acompanharam durante toda a produção).

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Para baixar o filme e assisti-lo é só clicar no nome dele: SUPER CHACRINHA E SEU AMIGO ULTRA-SHIT EM CRISE VS. DEUS E O DIABO NA TERRA DE GLAUBER ROCHA.

abaixo vídeo com Ivan Cardoso durante o Festival de Gramado de 1997 (essa entrevista foi realizada enquanto estávamos filmando o “Super Chacrinha…”).

A Cor que caiu do Espaço

Posted in Cinema, download, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 23, 2016 by canibuk

Em 2015 fui convidado para realizar um dos episódios do longa-metragem coletivo “13 Histórias Estranhas”. No mesmo dia comecei a pesquisar projetos abandonados do cinema mudo e me deparei com um projeto de curta que iria adaptar o conto “The Colour Out of Space” de H.P. Lovecraft no ano de 1928. O roteiro de tal projeto era escrito pelo próprio Lovecraft adaptando seu conto escrito no ano interior. Achei que seria uma boa tentar fazer uma versão baiestorfiana daquela ideia e assim comecei a pré-produção do episódio “A Cor que caiu do Espaço”.

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Como estava completamente sem dinheiro por aquelas épocas (por conta da produção de “Zombio 2: Chimarrão Zombies“), apresentei o projeto para minha amiga Shunna (que foi uma das investidoras de “Zombio 2”) e ela disponibilizou o dinheiro necessário para levantar a produção e pagar atores/técnicos envolvidos no projeto. Filmamos tudo em uma madrugada com uma equipe bem pequena (se não me falha memória, no set estavam comigo apenas Leyla Buk, Carli Bortolanza e os atores Coffin Souza, Elio Copini, Jessy Ferran e o Airton “Chibamar” Bratz) e depois editei com o E.B. Toniolli em mais uns dois dias de trabalhos no intuito de sujar as imagens (hoje me arrependo de não ter sujado ainda mais).

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Com “A Cor que caiu do Espaço” tentei realizar um mix entre cinema experimental, sci-fi e cinema marginal, que são três de minhas paixões. O resultado é este curtinha que vocês podem baixar aqui: A COR QUE CAIU DO ESPAÇO.

Quanto ao longa-metragem coletivo “13 Histórias Estranhas”, não faço ideia de quando será lançado oficialmente.

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Orgia ou O Homem que deu Cria

Posted in Cinema, download with tags , , , , , , , , , , , on setembro 22, 2016 by canibuk

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Um raro filme do cinema marginal brasileiro, “Orgia ou O Homem que deu Cria“, foi disponibilizado para download.

Orgia ou O Homem que deu Cria foi lançado em poucos cinemas em 1970 e tem direção de João Silvério Trevisan. No elenco os cineastas Ozualdo Candeias, Jairo Ferreira e o crítico Jean-Claude Bernardet.

Jairo Ferreira foi o autor do genial livro “Cinema de Invenção“, obra definitiva sobre o cinema marginal brasileiro.

Peço desculpas pela postagem extremamente econômica, mas queria muito compartilhar o link de download deste clássico marginal para que mais pessoas possam conhece-lo. Assim que o tempo livre me permitir voltarei a escrever artigos e a realizar entrevistas para o Canibuk. Nunca planejei deixar este blog lindo tanto tempo sem novidades. Desculpem!

Petter Baiestorf.

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Entrei em Pânico no Youtube

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 23, 2015 by canibuk

Felipe M. Guerra escreveu me avisando que, diante da impossibilidade de realizar um lançamento em DVD/Blu-Ray (porque estes lançamentos não se pagam mais, eu mesmo parei de fazer lançamentos físicos porque vende pouquíssimo), resolveu colocar seu filme no youtube.

Na palavras do próprios Felipe:

“Em 2001, quando as duas únicas opções para fazer cinema no Brasil era ser filho de banqueiro ou aventurar-se no mundo encantando das câmeras VHS, eu fiz uma sátira aos filmes slasher chamada “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado”, gravada em VHS e com “orçamento” de 250 reais. Na época a série “Pânico” fazia muito sucesso e tinha gerado um ‘revival’ desse tipo de produção, mas eram filmes muito ruins, sem sangue, sem mulher pelada, enfim, sem aqueles elementos que faziam os velhos “Sexta-feira 13” tão divertidos. E eu resolvi brincar com os clichês do subgênero, usando amigos como atores, sangue de suco de groselha e efeitos caseiros. Seja por causa do título gigante, seja por causa da curiosidade de uma produção de horror ter sido feita no interior do Rio Grande do Sul, o filme teve uma repercussão tremenda, bem mais do que merecia. Até hoje, acho que é um dos filmes independentes brasileiros mais conhecidos, mas menos vistos.

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“Entrei em Pânico… Parte 2” surgiu de uma piada que não funcionou no final da Parte 1, quando os protagonistas fugiam de carro deixando o assassino vivo pra trás e diziam: “A gente volta na Parte 2 pra dar porrada nele”. Obviamente era só mais uma gozação, mas o final em aberto fez com que muita gente realmente me cobrasse pela Parte 2.
Em 2006 eu lancei um filme que gosto muito, uma comédia com toques de horror chamada “Canibais & Solidão”, que não teve repercussão nenhuma porque era mais comédia que terror. Inclusive não passou em festival nenhum na época. Aí eu resolvi fazer o “Entrei em Pânico… Parte 2” e dar ao público o que queria – sangue e tripas -, porque o primeiro filme teve reportagem na SET, no Fantástico e até numa revista espanhola de cinema fantástico, e eu queria tentar repetir esse “sucesso”.
O roteiro foi escrito em 2008, mas o filme só saiu em 2011. É por isso que os personagens vivem falando que o massacre do filme original aconteceu sete anos antes, e não dez. Acontece que no começo de 2009 eu me mudei para São Paulo, para fazer meu Mestrado, e voltava à minha cidade-natal (Carlos Barbosa, RS) somente de vez em quando, e era aí que filmávamos. Por isso que levei quase três anos para terminar o filme! Os atores e atrizes mudaram de peso e corte de cabelo umas 20 vezes durante as gravações, e a história do filme se passa apenas em alguns dias, mas ninguém nunca notou nada – e, se notou, não me disse.

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Para a continuação, eu trouxe de volta vários personagens do original, inclusive um que morreu no primeiro filme (meu irmão Rodrigo, ressuscitado milagrosamente e com direito a uma piada ironizando esse tipo de absurdo em filmes). Minha ideia original era colocar todos os atores do primeiro filme neste, inclusive os que morreram, pois eles iriam aparecer como fantasmas que o personagem Goti enxergava devido ao trauma de ter sobrevivido ao massacre. Mas, durante o processo de filmagem, eu percebi que isso deixaria o filme muito longo e enrolado, e o original já era assim (demorava muito para a matança começar), então cortei toda essa ideia dos fantasmas.
Uma coisa que eu fiz questão de ter na Parte 2 eram efeitos especiais elaborados. No primeiro filme eu mesmo improvisei os efeitos sem nem saber como fazer direito, então neste eu paguei uma graninha para o Ricardo Ghiorzi, um técnico de efeitos especiais de Porto Alegre, me ajudar nesse departamento. Ele foi o responsável pela grande cena do filme, em que cinco jovens são mortos de uma vez só. Sempre achei engraçado esse negócio de, nos slashers, o assassino matar uma pessoa por vez, então fiz essa cena pensando num massacre coletivo mostrado no ótimo “Chamas da Morte” (The Burning, 1981). Levamos mais de seis horas para filmar uma cena que, editada, não chega a cinco minutos!

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“Entrei em Pânico… Parte 2” custou quase 3 mil reais e deu bastante trabalho por causa do cronograma bizarro de filmagens. Eu só podia filmar quando voltava para minha cidadezinha, mas nem sempre os atores estavam disponíveis. Então tive que cortar ou alterar cenas inteiras para me adequar ao tempo e aos atores que tínhamos disponíveis em determinados momentos. Mas é um filme que a gente se divertiu muito fazendo. Inclusive, durante a gravação da última cena, eu fiz questão de tomar um banho de sangue falso atirado sobre mim pelos próprios atores.
Este foi meu filme de maior repercussão até agora. Não tanto quanto o primeiro, que chegou a revistas e ao horário nobre da Globo, mas somente porque os tempos são outros e hoje todo mundo está fazendo seu próprio filme, então isso deixou de ser notícia. Porém o filme circulou por praticamente todos os festivais de cinema fantástico e/ou independente do Brasil, e foi exibido em mostras na Argentina, em Porto Rico e no México, o mais perto que um filme meu chegou de Hollywood! Enfim, provavelmente foi meu filme mais VISTO, enquanto o primeiro as pessoas só conhecem de nome.

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De 2011 para cá, fiquei remoendo a ideia de fazer um DVD duplo caprichado para o filme, pois tenho meia hora de cenas excluídas (incluindo umas mortes alternativas) e umas divertidas entrevistas com o elenco que fiz na época, além de making-of dos efeitos especiais. Mas o panorama do cinema independente mudou bastante de 2001, quando lancei a Parte 1, para agora. Lembro que vendi mais de 500 fitas do original, mas hoje ninguém quer mais saber de comprar filme independente, todo mundo só quer baixar ou ver de graça. Então resolvi jogar o filme no YouTube eu mesmo. O lado bom é que mais gente tem acesso ao meu trabalho. O lado ruim… Bem, eu nunca mais vou recuperar meus 3 mil, e assim fica cada vez mais difícil conseguir investir mais grana em futuras produções.

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Uma coisa que “Entrei em Pânico… Parte 2” me ensinou é que certos preciosismos de diretor xarope e de estudante de cinema não fazem diferença alguma no produto final – em outras palavras, o espectador médio nem liga para isso. Por exemplo, eu me envolvi em algumas produções mais “profissionais” em que os diretores de fotografia ficavam duas horas só acertando a luz. Aqui, eu filmei tudo com luz natural ou pontos de luz simples (tipo abajures), e nunca ninguém criticou a “continuidade da luz” entre as cenas. Outra: o filme tem dois erros grosseiros de continuidade (na verdade tem um montão mas esses dois são grosseiros MESMO), e ninguém nunca percebeu. Um é a cadeira de rodas do personagem Goti: tivemos que usar dois modelos diferentes como se fosse a mesma, e elas são COMPLETAMENTE diferentes, mas ninguém notou. O segundo é a mão falsa que usamos nas cenas em que o Eliseu Demari é ferido na mão: o Ghiorzi fez a mão falsa TROCADA, e não havia mais tempo de refazer a correta, então usamos a trocada mesmo e passou batido! Assim, fica a dica para os técnicos chatos de cinema independente: dediquem-se mais à história e menos ao perfeccionismo, porque se umas barbeiragens como essas passaram batidas, não vai ser a sua iluminação 1,5% mais fraca ou o fio de cabelo fora de lugar no cenário que vão deixar seu filme uma merda!

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Mas eu confesso que gostaria muito de fazer um “Entrei em Pânico… Parte 3″. Seria como fechar o ciclo, sabe? Porque cada filme da série foi feito num momento diferente da produção independente nacional: o primeiro em VHS no começo do século 21, o segundo em digital mini-DV dez anos depois, então agora eu queria fazer um terceiro e último em Full HD, porque hoje isso já é possível e dá uma cara mais profissional mesmo ao filme mais vagabundo feito em casa. Também seria uma homenagem ao próprio cinema independente, e eu gostaria de convidar artistas fodões tipo o Ghiorzi, o Kapel Furman e o Rodrigo Aragão para fazer uma cena de morte cada, sempre bem absurda e exagerada. Mas obviamente isso demanda tempo e dinheiro que eu não tenho. Mesmo assim, é algo que eu gostaria de fazer. Quem sabe daqui mais dez anos?”
Veja o filme aqui: