Arquivo para agosto, 2013

Aberto Catarse de Apoio ao Centro Cultural UDU

Posted in Anarquismo, Arte e Cultura, Entrevista with tags , , , , , , , , , , , , on agosto 30, 2013 by canibuk
Espaço UDU.

Espaço UDU.

“O Espaço Underground do Underground (UDU) é a materialização de uma ideia positiva de coletivos que buscam proporcionar encontros e trocas num ambiente receptivo e potencializador das criatividades locais ou de outras regiões.

Formado por 4 coletivos, Editora Intuitiva (ex-coletivo La Revancha), Camarão Filmes e Ideias Caóticas, Ethos Diálogos Visuais e pela gravadora Crimes pela Juventude. O espaço, além de ser uma sede coletiva, funcionará como centro cultural independente promovendo eventos variados e incentivando a produção, divulgação e circulação cultural independente.

Localizado no bairro de Bento Ferreira, próximo a Av. Vitória, o espaço precisa de reformas que estão acima de nossas condições financeiras, a ideia de fazer um crowdfound vem no encontro do espírito de comunidade em que nossas raízes culturais foram criadas, esbarramos em custos materiais que estão além da nossa capacidade faça-você-mesmo de resolver, mas que uma comunidade cooperativa pode facilmente resolver com pequenas contribuições.

Os valores aqui acumulados serão usados exclusivamente na compra de materiais para a reforma do Espaço UDU, localizado próximo a Av. Vitória, na rua João Balbi, ao lado do colégio Aristóbulo Barbosa Leão. A prioridade é o sistema de energia elétrica e toda a estrutura do telhado, itens básicos para a ocupação efetiva do espaço.”

Salas do Espaço UDU aguardando reforma.

Salas do Espaço UDU aguardando reforma.

Quem puder ser apoiador financeiro para as reformas deste espaço de cultura independente surgido em Vila Velha/ES, atesto aqui, a seriedade do projeto. Já tive o prazer de trabalhar com Alexandre Brunoro, da produtora Camarão Filmes & Ideias Caóticas, que foi maquiador no meu longa-metragem “Zombio 2: Chimarrão Zombies” (e que já havia falado muitas coisas boas sobre este espaço coletivo dedicado à cultura independente), um excelente profissional com quem espero trabalhar ainda em muitas oportunidades. Aliás, a produtora Camarão Filmes também nos emprestou seu equipamento de som para a captação dos diálogos de “Zombio 2”, tudo isso na camaradagem. Espaços assim, independentes da grana do estado ou municípios (para não haver politicagem) , deveriam surgir em todas as cidades brasileiras, dado sua importância. Você pode ajudá-los nas reformas apoiando-os via CATARSE DO ESPAÇO UDU (clique no link). Há inúmeros valores que você pode doar, de singelos R$ 15.00 até a importância mais substancial de R$ 1.000,00. Aliás, fica a dica para pessoal de Vila Velha/ES que tenha construtora, ou contato com alguém de construtoras, para que deem uma colaboração ao grupo que a cidade só tem a ganhar com o Espaço UDU. Apoiar espaços culturais é a melhor forma de você ajudar na educação do povo brasileiro.

Colabore na reforma do Espaço UDU.

Colabore na reforma do Espaço UDU.

“Todas as pessoas envolvidas com o projeto possuem um envolvimento e um histórico em produção cultural que vão desde de organização de shows, exposições, produção audiovisual, publicações, lançamento de discos e oficinas. Em sua maioria possuem formação ligadas ao campo das ciências humanas como Artes Visuais, Artes Plásticas, Design, História, Ciências Sociais e Filosofia. Abaixo segue uma pequena descrição de alguns grupos/coletivos que estão envolvidos com o Espaço UDU.”

Sua ajuda nas reformas do Espaço UDU fortalece o underground nacional.

Sua ajuda nas reformas do Espaço UDU ajuda a fortalecer o underground nacional.

Entrevista com o Raphael sobre o Espaço UDU:

Baiestorf: O que é o Espaço UDU?

Raphael Araújo: O espaço Underground do Underground (UDU) é a materialização de uma ideia positiva formada por 4 coletivos criativos – Editora Intuitiva (ex coletivo La Revancha), Camarão Filmes e Ideias Caóticas, Ethos Diálogos Visuais e pela gravadora Crimes Pela Juventude – um espaço que além de ser sede coletiva, funcionará como centro cultural independente promovendo eventos variados e incentivando a produção, divulgação e circulação cultural independente.

Trabalhando UDU

Baiestorf: O que vocês já tem de concreto para o funcionamento do Espaço UDU?

Raphael Araújo: O que temos de mais concreto, sem dúvida, são nossas produções individuais e coletivas. Nos últimos anos temos nos dedicado à diversas atividades criativas independentes como:  organizações de eventos como shows, exposições e oficinas, produção de vídeos, música, trabalhos de artes, design gráfico e publicações de zines, livros e textos. Estas produções são diretamente ligadas as vivências com o meio underground e principalmente com o punk. Este trazendo a filosofia do “faça você mesmo”, que é presente em tudo o que fazemos e nos impulsiona a colocar ideias criativas fora do campo das ideias.

Desde o ano passado foi criada uma revista/ fanzine virtual que se chama UDU. Funciona como um espaço virtual para divulgação e publicação de material independente, possuindo inúmeros colaboradores que vem de diversas partes do Brasil. Por enquanto ela é somente virtual, pois é um espaço acessível e gratuito. Mas já há uma mobilização para tentar uma edição impressa, levando a revista a ter uma distribuição mais efetiva. No início desse ano, começamos a articular, principalmente pela figura do Léo Prata, a ideia de ter um espaço físico (vide resposta da pergunta 1).

Este espaço possui algumas particularidades que o tornam mais acessível e potente como: área interna grande e bem distribuída, localização boa de fácil acesso, aluguel com preço abaixo do mercado (o prédio faz parte da casa do avô do Léo). Mas o prédio precisa de reforma para ser no mínimo habitável, pois ficou muitos anos fechado e abandonado.

Outro ponto digno de nota é que todos são graduados ou estudam na área de humanas como: artes, design, história, filosofia e ciências sociais.

Baiestorf: O pessoal envolvido na organização do espaço tem uma história bonita de comprometimento com a arte independente. O Espaço UDU estará direcionado principalmente a arte independente? Como funcionará tudo?

Raphael Araújo: Sim, o espaço UDU será direcionado principalmente para cultura autoral independente. A ideia do espaço é abrigar uma galeria de artes, dando todo o suporte ao artista. Ser um lugar para encontros, vivencias e trocas. Promovendo assim: lançamentos de livros, discos, filmes, workshops, palestras, sarais, intercambio com artistas e oficinas. Há uma preocupação na distribuição de materiais independentes e para isso planeja-se uma loja, que distribuirá material independente.  Tudo isso atuando em duas frentes: virtual – através de um site que ainda em planejamento e o real – espaço físico.

Trabalhando UDU1

Baiestorf: Como pessoal poderá colaborar e qual a importância desta colaboração? E o que ganhará com isso? (Já que muita gente só ajuda se ganhar algo).

Raphael Araújo: O pessoal, neste momento, pode colaborar efetuando uma doação em dinheiro pelo site do Catarse, rede de financiamento colaborativo coletivo, e/ou divulgando o projeto aos seus contatos.No site do projeto do Espaço UDU, no Catarse, há algumas cotas que variam de valor que vai desde R$ 15,00 à R$ 1.000,00. O pessoal que doa alguma quantia recebe em contrapartida, além de nossa gratidão, algum brinde que lá está descriminado. Por exemplo quem doa R$ 15,00 ganha um adesivo do espaço. Conforme esse valor vai subindo, os brindes também vão aumentando proporcionalmente em quantidade e valor agregado. Todos os produtos são feitos por pessoas que fazem parte do grupo UDU e vão de filmes, livros, trabalho de artes, máscaras e camisas.Esses são os ganhos diretos, que são trocados instantaneamente. Há ainda outros tipos de ganhos que poderão ser contabilizados no futuro, caso o projeto se realize. A UDU poderá ser um espaço que um dos colaboradores poderá utilizar para expor, para dar oficina, para lançar material, para realizar projetos, para vender seu trabalho, enfim, muitos outros retornos não palpáveis no momento.

Baiestorf: Trabalho com produção independente e sei o quanto é difícil bancar do próprio bolso essa vida de artista no Brasil e um espaço como este que vocês estão criando é importante para dar visibilidade à trabalhos que as vezes correm risco de ficarem engavetados. Como será a seleção dos artistas para exposições e shows? É aberto à artistas de qualquer parte do mundo? Espaço sem fronteiras, isso?

Raphael Araújo: A seleção dos artistas seguirá alguns critérios, mas estes ainda não foram discutidos em grupo. Há muitas variáveis aí. É obvio que trabalhos que demonstrarem qualidade, relevância, aplicabilidade e afinidade com a proposta do espaço terão preferência. Com certeza o espaço será aberto para receber pessoas variadas e de lugares diferentes. Um espaço sem fronteiras.

Os Envolvidos na Organização do Espaço:

A Camarão Filmes e Ideias Caóticas é sediada na cidade de Vila Velha surgiu em 2001 como um grupo despretensioso a fim de gravar os próprios filmes. De maneira precária, sem recursos digitais e contando apenas com uma câmera VHS fizemos alguns curtas como “O homem que caga sangue” e “Trash Master”. Após um longo período inativo o grupo voltou, em 2012, produzindo o curta “Confinópolis – a terra do sem-chave”, isso se deu à partir de projeto aprovado por lei de incentivo.

A Crimes Pela Juventude é um coletivo sediado na cidade de Vitória desde o ano de 2004 quando seus integrantes tinham uma média de idade de 15 anos. Interessada na produção cultural independente, atua de forma contínua nos mais diversas formas de expressão: organização de shows de bandas nacionais e internacionais, promoção de bandas locais, publicação de zines, produção e distribuição de discos.

Intuitiva é uma editora e distribuidora de Vitória, sua primeira publicação impressa foi com apoio de lei de incentivo, mas ultimamente encontra-se independente em busca de sua segunda publicação impressa.

A Ethos é um coletivo multimídia criado em 2011 no Espírito Santo atuando primeiramente nos meios audiovisuais para uma abordagem documental com ponto de vista artístico e etnográfico. Dentre as principais produções os documentários, “Além do mar que há entre lá e cá”.

Colabore!!!

Underground do Underground

Hora Extra

Posted in revistas independentes brasileiras with tags , , , , , , , , , , , , , on agosto 28, 2013 by canibuk

Matheus Souza me enviou um jornal sensacionalista editado na cidade de Americana/SP (em 1998 lembro de ter ido assistir um show da banda Joe Coyote nesta cidade) que é uma delícia. Seu nome: “Hora Extra”, já está no quinto ano e conta com distribuição gratuita. Jornais impressos meio que perderam sua razão de existir pós internet (já que os textos dos novos jornalistas são, geralmente, muito ruins e copiados/colados de sites da net).

Hora Extra1

“Hora Extra” lembra os bons tempos do “Notícias Populares”, jornalzinho paulista cheio de imaginação. Aqui no exemplar que tenho em mãos, o número 67, a imaginação do editor está afiada: Matérias sobre o “Bebê-Diabo” de Santa Bárbara d’Oeste, que bate carteiras dos operários; décimo primeiro mandamento que foi encontrado em Americana e que após traduções revelou-se: “Não roubaras os munícipes”; entrevista com o Wanderley Cardoso; artigo sobre o peixe Drácula que enfeitiça mulheres na praia dos namorados (com um bom uso de stills do clássico “Creature From the Black Lagoon/O Monstro da Lagoa Negra” (1954) de Jack Arnold); proteção do além ou como usar o Preto Velho como segurança na sua loja; o novo pandeiro do Império Serrano; como usar o Bolsa Família para pagar prostituta e um pequeno relato sobre avistamento de OVNI com a chamada de abertura do programa televisivo “The Twilight Zone/Além da Imaginação” (1959), criado pelo produtor Rod Serling.

Agora, o must das matérias é o textinho de conspiração política que afirma que o site Wikileaks tem informações de que a presidente Dilma é um disfarce biológico (desenvolvido pela NASA) usado pelo Luiz Inácio Lula da Silva para continuar no comando do Brasil. Hilário! Sem esquecer que o jornal também divulga produções independentes, como neste número que dá o caminho para aquisição do livro “O Homem que Não Amava a Mulher com Tatuagem de Coelhinho” escrito pelo Matheus Souza.

Hora Extra2

Para conseguir seus exemplares do “Hora Extra”, mande e-mail para jornalhoraextra@hotmail.com e se divirta com as asneiras bem humoradas de seu editor.

As Pancadarias de José Sawlo – O Jackie Chan do Sertão

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 26, 2013 by canibuk

José Sawlo tem a maior pinta de herói bom moço no melhor estilo do genial Jackie Chan. Sawlo é um realizador de filmes de ação independentes na cidade de Queimadas/PB, pertinho de Campina Grande, que produz filmes de kung fu com amigos da vizinhança. Na hora das cenas de pancadaria dá pra perceber que Sawlo e sua equipe possuem  um talento natural pra coisa. Quase um ano atrás assisti dois de seus longas (queria ter divulgado os filmes de José Sawlo antes, mas a produção do meu longa “Zombio 2: Chimarrão Zombies” atrapalhou meus planos para o Canibuk).

“Punhos em Ação” ( ? , 60 minutos) de José Sawlo. Com: José Sawlo e Jair Francisco.

Punhos em AçãoDois amigos inseparáveis se metem num assalto e se tornam inimigos mortais quando o irmão de um deles é morto. Sawlo, mais família, é o ladrão bonzinho, enquanto Jair Francisco caracteriza muito bem o bandido mais violento. A história é cheia de furos de narrativa e a iluminação é inexistente, mas o clima conseguido com as cenas de luta compensam essas falhas, como na luta final, travada no meio do sertão Nordestino com as duas personagens principais coreografando uma ágil luta sangrenta (com muitos momentos de bom humor inspirados em Jackie Chan). O ponto fraco do filme é sua trilha sonora pop deslocada (em dado momento toca até Guns’n’Roses), levando-se em conta os riquíssimos estilos musicais Nordestinos. José Sawlo bem que poderia ter conseguido algum compositor de sua região para elaborar uma trilha sonora original que combinasse melhor com o clima do filme (apesar de que, inconscientemente, “Punhos de Ação” é um bom exemplo do quanto o Brasil do povão é um quintal cultural dos U.S.A. – e de outras culturas -, à exemplo de quase toda a totalidade das produções amadoras brasileiras – incluindo aqui as minhas próprias produções). Momento impagável do filme: Uma maleta cheia de dinheiro, que na verdade são notas de 2 reais, que deve somar a incrível quantia de uns 300 reais.

“No Rastro da Gang” (2009, 74 minutos) de José Sawlo. Com: José Sawlo, Thiago Cruz e Linaldo Silva.

No Rastro da Gang1Talvez o grande clássico de Sawlo (preciso ver mais produções dele), “No Rastro da Gang” conta, de forma alinear (e completamente bagunçada, como o bom cinema de terceira classe de Hong Kong), a história de dois policiais que vivem numa comunidade dominada por grandes traficantes de drogas e lutam para livrar a sociedade deste mal. Com cenas de pancadaria mais elaboradas “No Rastro da Gang” empolga em diversos momentos, nota-se que Sawlo e seus amigos sabem coreografar muito bem as cenas de ação (com direito até a um sujeito despencando de um telhado e uma personagem que golpeia se movimentando no ar, como nos bons filmes de Hong Kong). Mas o principal modelo de cinema que a turma segue é o cinema de Jackie Chan, então há sempre umas paradas no ritmo do filme para cenas de drama familiar (que quando interpretados por amadores sempre ganham ares de deliciosa comédia involuntária). Momentos impagáveis do filme: São cenas com o uso de alguns efeitos digitais caseiros ultra toscos (e hilários) que mostra uma chuva virtual e um carro explodindo. Genialidades do Mondo Tosco!

Mesmo com suas deficiências técnicas (uma edição mais dinâmica, um diretor – para que Sawlo possa se preocupar apenas com as cenas de ação -, um figurinista, um iluminador e um roteirista melhor já deixariam os filmes com uma roupagem mais profissional), essas duas produções de José Sawlo são imperdíveis para os fãs do cinema de Bordas (José Sawlo precisa ser descoberto por estes pesquisadores). Sonho em ver algum produtor reunindo num mesmo filme José Sawlo, Rambú, David Cardoso, Coffin Souza, Joel Caetano, Seu Manoelzinho e outros grandes nomes do cinema de gênero brasileiro para a feitura de “Os Mercenários Tropicais” do cinema independente.

Petter Baiestorf.

No Rastro da Gang2

Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation

Posted in Cinema, Literatura, Livro with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 21, 2013 by canibuk

“Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation” (2013, 220 páginas). Organizado por César Almeida. Editora Estronho.

Exploitation 1Concebido como uma continuação ao soberbo “Cemitério Perdido dos Filmes B” (2010) de César Almeida, este “Exploitation” se aprofunda ainda mais no cinema obscuro mundial (senti falta de tranqueiras da filmografia Indiana, Turca, Nigeriana, Filipina, mas isso deve ficar para um terceiro volume do “Cemitério Perdido dos Filmes B”). Neste volume César Almeida contou com a ajuda de outros aficionados ao escrever as resenhas, gente boa como: Carlos Thomaz Albornoz (jornalista), Laura Cánepa (jornalista), Leandro Caraça (crítico de cinema), Marco Freitas (publicitário), Ana Galvan (estudante), Osvaldo Neto (pesquisador e divulgador de cinema), Otávio Pereira (administração e sistema de informação), Ismael Schonhorst (humorista fracassado), Leopoldo Tauffenbach (doutor em artes visuais), Cristian Verardi (crítico de cinema) e Ronald Perrone (pesquisador de cinema), que se revezam nas resenhas de filmes divididos em capítulo sobre cinema splatter, artes marciais/chambara, giallo, policial exploitation, blaxploitation, nazisploitation/w.i.p./nunsploitation, sexploitation e exploitation regional (em dois capítulos, um sobre produções vagabundas da América Latina e outro sobre o apelativo cinema da Austrália e Canadá), tornando este livro uma bela introdução aos leigos que queiram conhecer o universo sem vergonha do cinema de exploração.

Exploitation 2Mas atenção, fanáticos por exploitation: Vocês sentirão falta de filmes mais obscuros. Entre os filmes resenhados (são 140 filmes analisados) estão pérolas como os divertidos “Ta Paidia Tou Diavolou/A Ilha da Morte” (1977, Nico Mastorakis); “Dawn of the Mummy” (1981, Frank Agrama); “L’Iguana dalla Lingua di Fuoco” (1971, Riccardo Freda); “Joë Caligula” (1966, José Bénazéraf); “Anita – Ur en Tonarsflickas” (1973, Torgny Wickman); “Emmanuelle Tropical” (1977, J. Marreco) e muitos outros filmes clássicos do gênero como “Cani Arrabbiati” (1974, Mario Bava); “Rabid” (1977, David Cronenberg); “Blood Feast” (1963, H.G. Lewis); “The Last House on the Left” (1972, Wes Craven); “Bloodsucking Freaks” (1976, Joel M. Reed); “La Montagna Del Dio Cannibale” (1978, Sergio Martino) e vários outros do ciclo de canibalismo italiano, bem como resenha de vários filmes de Lucio Fulci, Mario Bava, Dario Argento, Jack Hill, Bruce Lee, Pam Grier, etc (fez falta resenhas de produções de David F. Friedman – um dos reis do exploitation americano -, bem como produções distribuídas pelo lendário Harry Novak, Doris Wishman, Ted V. Mikels, Tsui Hark, Frank Henenlotter (o responsável por eu ter virado um fanático pelo gênero exploitation), entre outras lendas do cinema alucinado de exploração, mas 200 páginas realmente é pouco espaço para um apanhado mais profundo englobando também, por exemplo, westerns como “Viva Cangaceiro” (1971, Giovanni Fago) ou “Condenados a Vivir/Cut-Throats Nine” (1972, Joaquín Luis Romero Marchent), entre outros subgêneros).

Assim como o primeiro volume do “Cemitério Perdido dos Filmes B”, este é item obrigatório na estante dos fãs de um cinema mais selvagem e cru de uma época fantástica da sétima arte que sobrevive graças ao vídeo (hoje downloads) e a inúmeros cineastas independentes do mundo inteiro que continuam investindo dinheiro do próprio bolso para que essa tradição do alucinado cinema Exploitation continue infectando incautos telespectadores.

De ponto negativo no livro (e única coisa que achei desnecessária) são as infinitas citações à Tarantino, dando a falsa ideia de que os autores só conheceram o cinema exploitation a partir do cineasta americano (o que não é verdade, creio).  Meus sinceros parabéns ao César Almeida pela organização deste segundo volume de “Cemitério Perdido dos Filmes B”, a editora Estronho pelo lançamento e aos co-autores desta pequena maravilha. E que venham os próximos volumes o quanto antes.

Petter Baiestorf.