Archive for the Anarquismo Category

Como Preparar um Bom Cocktail

Posted in Anarquismo, Bebidas, humor negro with tags , , , , , , , , on dezembro 14, 2016 by canibuk

molotov-cocktail1

Final do ano está aí e o clima no país está pedindo por bons coquetéis de verão para deixar o clima ainda mais quente em suas festas pelo país.

Segue uma pequena receita de um cocktail bom, barato e ao alcance de todos:

coquetel

Cocktail Molotov:

1. Preencher com gasolina, querosene ou óleo diesel (para aumentar a aderência) uma garrafa de gargalo estreito.

2. Introduzir um pano na garrafa, fazendo com que um extremo encoste no liquido e o outro se estenda não menos de 20 cm da boca da garrafa, selar firmemente a garrafa com uma gaze, fita, ou até mesmo o próprio pano.

3. Para ativar o dispositivo:
a. Segure o frasco em uma mão estendendo bem o braço.
b. Com a outra mão, acenda o pano utilizando um fósforo ou isqueiro. 
c. Lançar imediatamente a garrafa flamejante contra o alvo, com força suficiente, para que ela se quebre com o impacto.
Boas festas!
Essa semana está uma delícia para sair pelas ruas do país com este cocktail em mãos!
Para imprimir:
para-imprimir-e-espalhar-pela-cidade

Aberto Catarse de Apoio ao Centro Cultural UDU

Posted in Anarquismo, Arte e Cultura, Entrevista with tags , , , , , , , , , , , , on agosto 30, 2013 by canibuk
Espaço UDU.

Espaço UDU.

“O Espaço Underground do Underground (UDU) é a materialização de uma ideia positiva de coletivos que buscam proporcionar encontros e trocas num ambiente receptivo e potencializador das criatividades locais ou de outras regiões.

Formado por 4 coletivos, Editora Intuitiva (ex-coletivo La Revancha), Camarão Filmes e Ideias Caóticas, Ethos Diálogos Visuais e pela gravadora Crimes pela Juventude. O espaço, além de ser uma sede coletiva, funcionará como centro cultural independente promovendo eventos variados e incentivando a produção, divulgação e circulação cultural independente.

Localizado no bairro de Bento Ferreira, próximo a Av. Vitória, o espaço precisa de reformas que estão acima de nossas condições financeiras, a ideia de fazer um crowdfound vem no encontro do espírito de comunidade em que nossas raízes culturais foram criadas, esbarramos em custos materiais que estão além da nossa capacidade faça-você-mesmo de resolver, mas que uma comunidade cooperativa pode facilmente resolver com pequenas contribuições.

Os valores aqui acumulados serão usados exclusivamente na compra de materiais para a reforma do Espaço UDU, localizado próximo a Av. Vitória, na rua João Balbi, ao lado do colégio Aristóbulo Barbosa Leão. A prioridade é o sistema de energia elétrica e toda a estrutura do telhado, itens básicos para a ocupação efetiva do espaço.”

Salas do Espaço UDU aguardando reforma.

Salas do Espaço UDU aguardando reforma.

Quem puder ser apoiador financeiro para as reformas deste espaço de cultura independente surgido em Vila Velha/ES, atesto aqui, a seriedade do projeto. Já tive o prazer de trabalhar com Alexandre Brunoro, da produtora Camarão Filmes & Ideias Caóticas, que foi maquiador no meu longa-metragem “Zombio 2: Chimarrão Zombies” (e que já havia falado muitas coisas boas sobre este espaço coletivo dedicado à cultura independente), um excelente profissional com quem espero trabalhar ainda em muitas oportunidades. Aliás, a produtora Camarão Filmes também nos emprestou seu equipamento de som para a captação dos diálogos de “Zombio 2”, tudo isso na camaradagem. Espaços assim, independentes da grana do estado ou municípios (para não haver politicagem) , deveriam surgir em todas as cidades brasileiras, dado sua importância. Você pode ajudá-los nas reformas apoiando-os via CATARSE DO ESPAÇO UDU (clique no link). Há inúmeros valores que você pode doar, de singelos R$ 15.00 até a importância mais substancial de R$ 1.000,00. Aliás, fica a dica para pessoal de Vila Velha/ES que tenha construtora, ou contato com alguém de construtoras, para que deem uma colaboração ao grupo que a cidade só tem a ganhar com o Espaço UDU. Apoiar espaços culturais é a melhor forma de você ajudar na educação do povo brasileiro.

Colabore na reforma do Espaço UDU.

Colabore na reforma do Espaço UDU.

“Todas as pessoas envolvidas com o projeto possuem um envolvimento e um histórico em produção cultural que vão desde de organização de shows, exposições, produção audiovisual, publicações, lançamento de discos e oficinas. Em sua maioria possuem formação ligadas ao campo das ciências humanas como Artes Visuais, Artes Plásticas, Design, História, Ciências Sociais e Filosofia. Abaixo segue uma pequena descrição de alguns grupos/coletivos que estão envolvidos com o Espaço UDU.”

Sua ajuda nas reformas do Espaço UDU fortalece o underground nacional.

Sua ajuda nas reformas do Espaço UDU ajuda a fortalecer o underground nacional.

Entrevista com o Raphael sobre o Espaço UDU:

Baiestorf: O que é o Espaço UDU?

Raphael Araújo: O espaço Underground do Underground (UDU) é a materialização de uma ideia positiva formada por 4 coletivos criativos – Editora Intuitiva (ex coletivo La Revancha), Camarão Filmes e Ideias Caóticas, Ethos Diálogos Visuais e pela gravadora Crimes Pela Juventude – um espaço que além de ser sede coletiva, funcionará como centro cultural independente promovendo eventos variados e incentivando a produção, divulgação e circulação cultural independente.

Trabalhando UDU

Baiestorf: O que vocês já tem de concreto para o funcionamento do Espaço UDU?

Raphael Araújo: O que temos de mais concreto, sem dúvida, são nossas produções individuais e coletivas. Nos últimos anos temos nos dedicado à diversas atividades criativas independentes como:  organizações de eventos como shows, exposições e oficinas, produção de vídeos, música, trabalhos de artes, design gráfico e publicações de zines, livros e textos. Estas produções são diretamente ligadas as vivências com o meio underground e principalmente com o punk. Este trazendo a filosofia do “faça você mesmo”, que é presente em tudo o que fazemos e nos impulsiona a colocar ideias criativas fora do campo das ideias.

Desde o ano passado foi criada uma revista/ fanzine virtual que se chama UDU. Funciona como um espaço virtual para divulgação e publicação de material independente, possuindo inúmeros colaboradores que vem de diversas partes do Brasil. Por enquanto ela é somente virtual, pois é um espaço acessível e gratuito. Mas já há uma mobilização para tentar uma edição impressa, levando a revista a ter uma distribuição mais efetiva. No início desse ano, começamos a articular, principalmente pela figura do Léo Prata, a ideia de ter um espaço físico (vide resposta da pergunta 1).

Este espaço possui algumas particularidades que o tornam mais acessível e potente como: área interna grande e bem distribuída, localização boa de fácil acesso, aluguel com preço abaixo do mercado (o prédio faz parte da casa do avô do Léo). Mas o prédio precisa de reforma para ser no mínimo habitável, pois ficou muitos anos fechado e abandonado.

Outro ponto digno de nota é que todos são graduados ou estudam na área de humanas como: artes, design, história, filosofia e ciências sociais.

Baiestorf: O pessoal envolvido na organização do espaço tem uma história bonita de comprometimento com a arte independente. O Espaço UDU estará direcionado principalmente a arte independente? Como funcionará tudo?

Raphael Araújo: Sim, o espaço UDU será direcionado principalmente para cultura autoral independente. A ideia do espaço é abrigar uma galeria de artes, dando todo o suporte ao artista. Ser um lugar para encontros, vivencias e trocas. Promovendo assim: lançamentos de livros, discos, filmes, workshops, palestras, sarais, intercambio com artistas e oficinas. Há uma preocupação na distribuição de materiais independentes e para isso planeja-se uma loja, que distribuirá material independente.  Tudo isso atuando em duas frentes: virtual – através de um site que ainda em planejamento e o real – espaço físico.

Trabalhando UDU1

Baiestorf: Como pessoal poderá colaborar e qual a importância desta colaboração? E o que ganhará com isso? (Já que muita gente só ajuda se ganhar algo).

Raphael Araújo: O pessoal, neste momento, pode colaborar efetuando uma doação em dinheiro pelo site do Catarse, rede de financiamento colaborativo coletivo, e/ou divulgando o projeto aos seus contatos.No site do projeto do Espaço UDU, no Catarse, há algumas cotas que variam de valor que vai desde R$ 15,00 à R$ 1.000,00. O pessoal que doa alguma quantia recebe em contrapartida, além de nossa gratidão, algum brinde que lá está descriminado. Por exemplo quem doa R$ 15,00 ganha um adesivo do espaço. Conforme esse valor vai subindo, os brindes também vão aumentando proporcionalmente em quantidade e valor agregado. Todos os produtos são feitos por pessoas que fazem parte do grupo UDU e vão de filmes, livros, trabalho de artes, máscaras e camisas.Esses são os ganhos diretos, que são trocados instantaneamente. Há ainda outros tipos de ganhos que poderão ser contabilizados no futuro, caso o projeto se realize. A UDU poderá ser um espaço que um dos colaboradores poderá utilizar para expor, para dar oficina, para lançar material, para realizar projetos, para vender seu trabalho, enfim, muitos outros retornos não palpáveis no momento.

Baiestorf: Trabalho com produção independente e sei o quanto é difícil bancar do próprio bolso essa vida de artista no Brasil e um espaço como este que vocês estão criando é importante para dar visibilidade à trabalhos que as vezes correm risco de ficarem engavetados. Como será a seleção dos artistas para exposições e shows? É aberto à artistas de qualquer parte do mundo? Espaço sem fronteiras, isso?

Raphael Araújo: A seleção dos artistas seguirá alguns critérios, mas estes ainda não foram discutidos em grupo. Há muitas variáveis aí. É obvio que trabalhos que demonstrarem qualidade, relevância, aplicabilidade e afinidade com a proposta do espaço terão preferência. Com certeza o espaço será aberto para receber pessoas variadas e de lugares diferentes. Um espaço sem fronteiras.

Os Envolvidos na Organização do Espaço:

A Camarão Filmes e Ideias Caóticas é sediada na cidade de Vila Velha surgiu em 2001 como um grupo despretensioso a fim de gravar os próprios filmes. De maneira precária, sem recursos digitais e contando apenas com uma câmera VHS fizemos alguns curtas como “O homem que caga sangue” e “Trash Master”. Após um longo período inativo o grupo voltou, em 2012, produzindo o curta “Confinópolis – a terra do sem-chave”, isso se deu à partir de projeto aprovado por lei de incentivo.

A Crimes Pela Juventude é um coletivo sediado na cidade de Vitória desde o ano de 2004 quando seus integrantes tinham uma média de idade de 15 anos. Interessada na produção cultural independente, atua de forma contínua nos mais diversas formas de expressão: organização de shows de bandas nacionais e internacionais, promoção de bandas locais, publicação de zines, produção e distribuição de discos.

Intuitiva é uma editora e distribuidora de Vitória, sua primeira publicação impressa foi com apoio de lei de incentivo, mas ultimamente encontra-se independente em busca de sua segunda publicação impressa.

A Ethos é um coletivo multimídia criado em 2011 no Espírito Santo atuando primeiramente nos meios audiovisuais para uma abordagem documental com ponto de vista artístico e etnográfico. Dentre as principais produções os documentários, “Além do mar que há entre lá e cá”.

Colabore!!!

Underground do Underground

Diversões do Cacete

Posted in Anarquismo, Fanzines, Quadrinhos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 28, 2013 by canibuk

A HQ “Bludgeon Funnies” foi pensada por Robert Williams na década de 1960, inspirada nos protestos de rua por direitos civis que ainda hoje continua atual (principalmente no Brasil de agora).

Robert Williams nasceu em Albuquerque, Novo México, e era um arruaceiro exemplar (a base que todo bom artista precisa). No início da década de 1960 se mudou para Los Angeles onde fez aulas de arte. Em seguida juntou-se ao pessoal que editava a “Zap Comix”, revista de quadrinhos contracultura que o deixou famoso no underground artístico.

Neste ano foi lançado o documentário “Robert Williams Mr. Bitchin”, dirigido pelo grupo Mary C. Reese, Doug Blake, Nancye Ferguson, Michael LaFetra e Stephen Nemeth, que faz um apanhado da carreira de Williams.

Segue a HQ “Bludgeon Funnies” que digitalizei do álbum “Zap Comix” lançado no Brasil alguns anos atrás pela Conrad Editora. “E lembre-se… A violência sempre se justifica, se você for o vencedor!”.

Diversões do Cacete1

Diversões do Cacete2

Diversões do Cacete3

Diversões do Cacete4

A Luta em Marcha

Posted in Anarquismo, Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , on junho 19, 2013 by canibuk

Não há cutelo que corte

Folhas à nova semente

Já que a acha do mais forte

Vai ruindo lentamente.

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Soam os gritos de guerra

Do servo, branco ou preto,

Que bradam por toda a terra

O seu direito de veto.

.

O povo trabalhador

Não aceita a opressão

Marcha contra o opressor

Aos gritos de revolução.

.

A mulher escravizada

No mesmo pé de igualdade

Ergue na santa cruzada

O pendão da liberdade

.

Cavaleiros do futuro

Em destemidos corcéis

Vão desbravando o monturo

Desses destinos cruéis.

.

Destruir pra construir

É sua nobre missão

Como forças do porvir

Na guerra da redenção.

.

O estado e as camarilhas

Hão-de rolar pela terra

À luz de novas cartilhas

A razão da nossa guerra.

.

Pão, justiça, igualdade!

Jamais a lei do mais forte!

Pelo sol da liberdade

Contra o reinado da morte!…

.

poesia de Artur Modesto.

Declaração Prévia

Posted in Anarquismo, Arte e Cultura, Surrealismo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 5, 2012 by canibuk

Surrealistas, não cessamos de consagrar à trindade Estado-Trabalho-Religião, uma execração que amiúde nos levou ao encontro dos camaradas da Federação Anarquista. Essa aproximação conduz-nos hoje a nos exprimir no Libertaire. Felicitamo-nos ainda mais porque acreditamos que esta colaboração nos permitirá extrair algumas das grandes linhas de força comuns a todos os espíritos revolucionários.

Estimamos que uma ampla revisão das doutrinas se impõe com urgência. Esta só será possível se os revolucionários examinarem juntos todos os problemas do socialismo com o objetivo, não de encontrar ali uma confirmação de suas próprias idéias, mas dali fazer surgir uma teoria capaz de dar um impulso novo e vigoroso para a revolução social. A libertação do homem não poderia, sob pena de se negar imediatamente após, ser reduzida apenas ao plano econômico e político, mas deve ser estendida ao plano ético (saneamento definitivo das relações dos homens entre si). Está ligada à tomada de consciência, pelas massas, de suas possibilidades revolucionárias e não pode, sob nenhuma condição, levar a uma sociedade em que todos os homens, como o exemplo da Rússia, seriam iguais na escravidão.

Irreconciliáveis com o sistema de opressão capitalista, quer se exprima sob a forma dissimulada da “democracia” burguesa e odiosamente colonialista, quer assuma o aspecto de um regime totalitário nazista ou stalinista, não podemos deixar de afirmar uma vez mais nossa hostilidade fundamental para com os dois blocos. Como toda guerra imperialista, a que eles preparam para resolver seus conflitos e aniquilar as vontades revolucionárias não é a nossa. Dela só pode resultar um agravamento da miséria, da ignorância e da repressão. Esperamos exclusivamente da ação autônoma dos trabalhadores a oposição que poderá impedi-la, e conduzir à subversão – no sentido de remanejamento absoluto – do mundo atual.

Esta subversão, o surrealismo foi e permanece o único a empreendê-la no terreno sensível que lhe é próprio. Seu desenvolvimento, sua penetração nos espíritos colocaram em evidência a falência de todas as formas de expressão tradicionais e mostrou que elas eram inadequadas à manifestação de uma revolta consciente do artista contra as condições materiaise morais impostas ao homem. A luta pela substituição das estruturas sociais e a atividade desenvolvida pelo surrealismo para transformar as estruturas mentais, longe de se excluírem são complementares. Sua junção deve apressar a vinda de uma época liberada de toda hierarquia e opressão.

Manifesto de Jean-Louis Bédouin, Robert Benayoun, André Breton, Roland Brudieux, Adrien Dax, Guy Doumayrou, Jacqueline Duprey, Jean-Pierre Duprey, Jean Ferry, Georges Goldfayn, Alain Lebreton, Gérard Legrand, Jehan Mayoux, Benjamin Péret, Bernard Roger, Anne Seghers, Jean Schuster, Clovis Trouille no Le Libertaire de 12 de outubro de 1951.

Declaração Pirata

Posted in Anarquismo, Literatura with tags , , , , , , , , , , , on maio 21, 2012 by canibuk

Daniel Defoe, escrevendo sob o pseudônimo de capitão Charles Johnson, escreveu o que se tornou o primeiro texto histórico sobre os piratas, A General History of the Robberies and Murders of the Most Notorious Pirates (Uma história Geral dos Roubos e Assassinatos dos Mais Notórios Piratas). De Acordo com Jolly Roger (a bandeira pirata), de Patrick Pringle, o recrutamento de piratas era mais efetivo entre os desempregados, fugitivos e criminosos desterrados. O alto-mar contribuiu para um instantâneo nivelamento das desigualdades de classe. Defoe relata que um pirata chamado capitão Bellamy fez este discurso para o capitão de um navio mercante que ele tomou como refém. O capitão tinha acabado de recusar um convite para se juntar aos piratas:

Sinto muito que eles não vão deixar você ter sua chalupa de volta, pois eu desaprovo fazer mesquinharia com qualquer um, quando não é para minha vantagem. Dane-se a chalupa, nós vamos naufragá-la e ela poderia ser de uso para você. Embora você seja um cachorrinho servil, e assim são todos aqueles que se submetem a ser governados por leis que os homens ricos fazem para sua própria segurança; pois os covardes não têm coragem nem para defender eles mesmos o que conseguiram por vilania; mas danem-se todos vocês: danem-se eles, um monte de patifes astutos e vocês, que os servem, um bando de corações de galinha cabeças ocas. Eles nos difamam, os canalhas, quando há apenas esta diferença: eles roubam os pobres sob a cobertura da lei, sem dúvida, e nós roubamos os ricos sob a proteção de nossa própria coragem. Não é melhor tornar-se então um de nós, em vez de rastejar atrás desses vilões por emprego?

Quando o capitão replicou que a sua consciência não o deixaria romper com as regras de Deus e dos homens, o pirata Bellamy continuou:

Você é um patife de consciência diabólica, eu sou um príncipe livre e tenho autoridade suficiente para levantar guerra contra o mundo todo, como quem tem uma centena de navios no mar e um exército de 100 mil homens no campo; e isto a minha consciência me diz: não há conversa com tais cães chorões, que deixam os superiores chutá-los pelos convés a seu belprazer.

Capitão Bellamy & Hakim Bey* (do livro TAZ – Zona Autônoma Temporária, editora Conrad).

* Hakim Bey é pseudônimo do historiador Peter Lamborn Wilson.

Cultura: Vide Bula

Posted in Anarquismo, Arte e Cultura, Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on maio 6, 2012 by canibuk

CULTURA

Uso Geral.

COMPOSIÇÃO:

Cada dose de Cultura pode conter:

Leituras Diversas e Instigantes………………………………………..500mg

Música, Cinema, Vídeo, Teatro, Folclore, Artes em geral………250mg

Excipientes: Criatividade, Informação, Dúvidas, Pesquisas, Ceticismo, Auto-Crítica, Subversão, Contestação, Conversas Produtivas e Diversão.

INFORMAÇÕES AO PACIENTE:

Cultura é uma formulação antiemburrecedora, antiidiótica e analgésica para uso geral e indiscriminado, a eficácia da terapêutica depende da regularidade do uso e dosagens do medicamento.

CUIDADOS DE ARMAZENAGEM:

Conserve o produto em local público e de fácil acesso, evitando no entanto sua manipulação pelos poderes constituídos, capital exploratório, organismos religiosos e militares. Somente o calor das idéias não é excessivo.

PRAZO DE VALIDADE:

Não existe prazo de validade para Cultura.

REAÇÕES ADVERSAS:

De um modo geral, Cultura é muito bem absorvido e tolerado e as reações são leves não representando problemas. As mais comumente observadas são: Insatisfação, Isolamento, Febre de Idéias, Hiperatividade Intelectual, Anticonvencionalismo, Transgressão, Anarquismo e Humor Mordaz.

ESTE MEDICAMENTO DEVE SER MANTIDO AO ALCANCE DAS CRIANÇAS.

Cultura é indicado para: Tratamento dos sinais e sintomas da burreortrite e idiotite mongolóide; alívio da dor aguda da falta de criatividade; alívio dos sintomas de incompetência intelectualóide; também indicado na redução do ócio mental, preguiça cerebral e danos causados pela falta de leituras e informações precoces. Combate também com resultados satisfatórios a infobatização internetal aguda.

POSOLOGIA:

Adultos – Para burrice aguda e idiotice encefálica, altas doses de Cultura devem ser adaptadas para cada paciente. Estas doses podem ser administradas independentemente dos horários das refeições, lazer, sono e sexo.

Idosos – Não há necessidade de ajuste das doses.

Uso Pediátrico – É recomendada boa dose de Cultura em indivíduos abaixo de 18 anos de idade, que será bem absorvida quando empregada concomitantemente com diversão e bom humor.

SUPERDOSAGEM:

Os pacientes devem ser tratados com doses de distração, passeios aleatórios, conversas irresponsáveis, brincadeiras desopilantes e sexo puro, descomprometido e radical.

SIGA CORRETAMENTE O MODO DE USAR; OCORRENDO REAÇÕES ADVERSAS IMPREVISÍVEIS, OS AMIGOS DEVEM SER NOTIFICADOS.

NÃO DESAPARECENDO OS SINTOMAS, PROCURE ORIENTAÇÃO SOBRE EUTANÁSIA.

Dr. Coffin Souza (Farmacêutico responsável – CRF-SC 5010).

2004, para Urtiga.