Six She’s And A He em Agonia na Ilha Sangrenta da Deusa do Amor

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 19, 2014 by canibuk

Six She’s and A He (“Love Goddesses of Blood Island”/”Kiss Me Bloody”, 1963, 46 minutos) de Richard S. Flink. Com: Laura Hodges, Bill Rogers, Liz Burton, Carol Wintress, Dawn Meredith, Laura Wood e Ingrid Albert.

Six She's and A HeUm astronauta cai numa ilha habitada por seis amazonas e é mantido como escravo, tanto para trabalhos manuais como arar a terra, quanto para satisfazer as taras sexuais das seis estranhas garotas. Entre alguns números de dança temos o flashback da tortura de um soldado nazista, o escravo sexual anterior, que é explicitamente eviscerado e decepado em efeitos ultra-sangrentos mais bem elaborados do que no clássico “Blood Feast” (1963) de H.G. Lewis, com inúmeros closes valorizando as tripas ensanguentadas que são arrancadas do estômago do pobre soldado. Exausto de tanto sexo e trabalhos forçados na lavoura das garotas, o astronauta Rogers e uma das meninas se apaixonam e resolvem fugir juntos, iniciando uma luta sangrenta que envolve cabeças esmagadas à pedradas e corpos trespassados por lanças pontiagudas.

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six shes and a he pressbook“Six She’s and A He”, originalmente filmado sob o título de “Love Goddesses of Blood Island”, é uma espécie de mistura entre os filmes de H.G. Lewis e os Nudies dançantes que surgiram no final da década de 1950. Trazendo maquiagens extremamente violentas para a época em que foi produzido, o filme tem um tom de farsa como nas produções de H. G. Lewis (talvez o filme gore mais violento e perturbador do início do subgênero gore no cinema seja mesmo o japonês “Jigoku” (1960), de Nobuo Nakagawa, que era uma realização séria, plasticamente bem executada e trazia torturas sangrentas em um inferno colorido meia década antes do nosso José Mojica Marins). Na época do lançamento de “Six She’s and A He” uma meia dúzia de cópias do filme circularam apenas pela região de Miami para logo sumir do mercado e permanecer por mais de 30 anos como um filme perdido, até que a distribuidora Something Weird conseguiu achar uma cópia de 46 minutos do clássico e o relançou no mercado de home vídeo (o IMDB aponta que a duração do filme é de 72 minutos, mas até o momento a versão que circula pelo mundo é essa da Something Weird). De qualquer modo, é um filme que precisa ser resgatado/descoberto pelas novas gerações de fãs do cinema gore e, se possível, uma cópia completa precisa ser descoberta para um futuro (e digno) lançamento deste trabalho tão importante.
Six She's and A He2O filme foi a primeira produção/direção do empreiteiro de Miami Richard S. Flink, que assinou o filme com o pseudônimo de Gordon H. Heaver. Construindo casas durante o dia e administrando um drive-in de sucesso durante a noite, o Sr. Flink se sentiu seguro para entrar na produção de cinema independente. Embora “Six She’s and A He” tenha sido visto por poucas pessoas e tenha passado desapercebido, foi o suficiente para que ele produzisse ainda, pela sua recém formada produtora Thunderbird International, o trashão “Sting of Death” (1965) com direção de William Grefe, uma deliciosa mistura de sci-fi e horror realizada pelo homem que anos mais tarde faria o imperdível “Mako: The Jaws of Death/Mako, O Tubarão Assassino” (1976). Depois destes filmes Richard S. Flink desapareceu do mercado cinematográfico e seu paradeiro (e história) permanecem desconhecidos até hoje.
Six She's and A He3Tido como a primeira imitação do cinema gore da dupla Lewis-Friedman, “Six She’s and A He” não deixa de ter relação direta com os filmes do mestre do gore já que seu roteirista é o ator William Kerwin e seu irmão, Harry Kerwin, o responsável pelos repulsivos efeitos especiais do filme. William nasceu em 1927 (tendo falecido em 1989) e atuou em mais de 130 filmes, se tornando conhecido principalmente por estar no elenco de inúmeros filmes dirigidos por H.G. Lewis, incluindo os clássicos “Blood Feast”, onde conheceu e se casou com a atriz Connie Mason, “Two Thousand Maniacs!/Maníacos” (1964) e “A Taste of Blood” (1967) onde atuava, geralmente, sob o pseudônimo de Thomas Wood. Outros filmes da dupla Lewis-Friedman onde trabalhou foram “Living Venus” (1961); “The Adventures of Lucky Pierre” (1961); “Boin-n-g” (1963); “Goldilocks and the Three Bares” (1963); “Bell, Bare and Beautiful” (1963); “Scum of the Earth” (1963); “Jimmy, The Boy Wonder” (1966) e “Suburban Roulette” (1968). Como curiosidade, em 1983 ele interpretou a personagem Boa Man no “Porky’s 2” de Bob Clark, creditado no filme com o pseudônimo de Rooney Kerwin. Já seu irmão Harry Kerwin, a mente doentia por trás das ótimas maquiagens gore de “Six She’s and A He”, era diretor de séries para a TV. Harry nasceu em 1930 e faleceu precocemente de câncer em 1979, com apenas 48 anos de idade. Seu filme mais famoso é justamente o último de sua carreira, “Barracuda” (1978) com co-direção de Wayne Crawford, uma produção de horror que tentava lucrar com o sucesso de “Jaws” de Steven Spielberg. Harry amava o cinema e se aventurou como ator em alguns filmes como o horror “Flesh Feast” (1970) de Brad F. Grinter, sobre um grupo de nazistas que quer reanimar o corpo de Adolf Hitler para dominar o mundo. Também produziu, escreveu, montou e trabalhou no departamento elétrico de outras produções de baixo orçamento como “Campus Heat” (1969) de Tom Rich e “Scream Baby Scream” (1969) de Joseph Adler (que contava com roteiro de Larry Cohen).
Six She's and A He1Do grupo de atores presentes neste curioso filme obscuro, vale apontar que Bill Rogers, o astronauta, fez poucos filmes mas aparece em curiosidades como “Santo Vs. Las Mujeres Vampiro” (1962), de Alfonso Corona Blake, no papel do professor Orloff (não creditado); “Adam Lost His Apple” (1965), uma comédia assinada por Earl Wainwright; “Shanty Tramp” (1967) de Joseph P. Mawra e “A Taste of Blood” (1967) de H.G. Lewis. E das garotas no elenco apenas Laura Wood tentou seguir carreira tendo aparecido em alguns outros filmes, em sua maioria participações em episódios de séries de TV como “Star Trek”.
Six She's and A He_CoverÉ interessante observar que o assistente de direção de Richard S. Flink foi o também diretor Joseph P. Mawra (creditado no filme como José Prieto). Mawra é mais conhecido por ter sido o diretor da série de filmes com a personagem Olga do produtor George Weiss, para quem realizou “Olga’s House of Shame” (1964); “White Slaves of Chinatown” (1964); “Olga’s Girls” (1964); “Chained Girls” (1965) e “Mme. Olga’s Massage Parlor” (1965).
“Six She’s and A He” é uma produção barata, tecnicamente capenga e com atuações amadoras, mas tem um lugar garantido na história do cinema por ter sido realizado no momento em que os produtores de cinema estavam explorando e testando todos os limites do bom gosto e a audiência clamava por obras que fugissem do lugar comum. Pode ser um filme vagabundo sem a importância de um “Blood Feast”, mas ver aquele bando de sorridentes atores desconhecidos, dançando e sangrando alegremente numa história cheia de momentos absurdos, faz o dia bem melhor.

escrito por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Veja aqui um dos efeitos ultra gore de “Six She’s And A He” (1963):

Pink Narcissus

Posted in Arte Erótica, Cinema, erótico with tags , , , , , , , , , , , , , on setembro 18, 2014 by canibuk

Pink Narcissus (1971, 64 min.) de James Bidgood. Com: Don Brooks, Bobby Kendall e Charles Ludlam.

Nesta obra-prima do baixo orçamento um garoto de programa fantasia diversas situações homoeróticas onde ele se torna a personagem principal de um mundo bem particular.
Pink Narcissus1“Pink Narcissus” é o filme obscuro por excelência, vejamos: Filmado em super 8 entre os anos de 1963 e 1970 (incríveis sete anos de produção), em sistema completamente fora da lei dentro de um loft (incluindo as cenas externas do filme) que ficava na cidade de Manhattan, conseguiu burlar a polícia novaiorquina e realizar primorosas cenas com reluzentes closes de nádegas masculinas, genitálias avantajadas e músculos bem definidos que povoam os sonhos mais molhados da comunidade gay mundial (enrustidos, “Pink Narcissus” é o sonho de consumo de vocês, não percam tempo com o medo e se deliciem com este clássico). Depois de finalizada a edição o filme foi liberado sem que seu diretor, James Bidgood, tivesse concordado com seu lançamento, motivo que o fez assinar a produção como “anônimo” (além da direção, Bidgood fez ainda o roteiro, direção de fotografia, direção de arte e produção). Inclusive, durante muitos anos pensou-se que Andy Warhol fosse o responsável pelo filme (embora tanto Warhol quanto outros diretores gays do quilate de Jack Smith, Kanneth Anger ou os irmãos Kuchar nunca tivessem tanto capricho visual em suas obras, coisa que “Pink Narcissus” deixa transbordar em cada frame), até que na década de 1990 o escritor Bruce Benderson (fã confesso do filme) foi atrás de pistas sobre os realizadores de “Pink Narcissus” e revelou, via um livro chamado “James Bidgood” (lançado pela Taschen), a verdadeira história por trás do filme maldito.

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James Bidgood nasceu em 1933 na cidade de Madison, Wisconsin. Ao se mudar para New York se tornou artista multí-midia com interesse maior em música, fotografia e drag performances. Após “Pink Narcissus” apareceu em mais meia dúzia de filmes (a maioria documentários sobre sua arte) com destaque para a produção “Keep The Lights On/Deixe a Luz Acesa” (2012) de Ira Sachs, drama sobre um cineasta gay que se relaciona com um advogado enrustido onde Bidgood representa a si próprio.
Pink Narcissus 3Martin Jay Sadoff, o editor de “Pink Narcissus” (e motivo de Bidgood ter retirado seu nome dos créditos), seguiu carreira no cinema norte-americano. Em 1979 foi editor de efeitos visuais na super-produção “Meteor/Meteoro”, de Ronald Neame, estrelado por atores do primeiro escalão de Hollywood como Sean Connery, Natalie Wood e Henry Fonda. Nos anos 80 montou filmes como “Graduation Day/Dia de Formatura” (1981) de Herb Freed (que trazia Linnea Quigley no elenco) e “Friday the 13th part VII: The New Blood/Sexta-Feira 13 parte 7 – A Matança Continua” (1988) de John Carl Buechler; foi supervisor de 3D em filmes como “Friday the 13th part III/Sexta-Feira 13 parte 3” (1982) de Steve Miner e “Spacehunter: Adventures in the Forbidden Zone/Caçador do Espaço – Aventuras na Zona Proibida” (1983) de Lamont Johnson e ainda dirigiu o documentário “The Last of the Gladiators” (1988), sobre o lendário Evel Knievel.
Pink Narcissus4Gary Goch, o diretor musical responsável pela ótima trilha sonora do filme, veio de produções classe Z. Foi maquiador e ator no sleazy “Shanty Tramp” (1967) de Joseph P. Mawra (o diretor responsável pela série sexploitation “Olga” do produtor George Weiss, o mesmo que produziu o lendário “Glen or Glenda?” de Edward D. Wood Jr.), câmera em “The Female Bunch/Um Punhado de Fêmeas” (1971) de Al Adamson e, após “Pink Narcissus”, virou pau pra toda obra da dupla de hippies malucos Bob Clark e Alan Ormsby. Para o primeiro foi editor/produtor do clássico classe Z “Children Shouldn’t Play With Dead Things” (1973); fez o som em “Deathdream” (1972) e foi produtor associado em “Porky’s” (1982), “Porky’s 2” (1983), “A Christmas Story” (1983), “Turk 182!” (1985) e “It Runs in the Family” (1994). Para o segundo fez o som de “Deranged” (1974) e produziu o divertido “Popcorn/O Pesadelo Está de Volta” (1991), comédia de humor negro dirigida por Mark Herrier (e Ormsby não creditado).
Fato curioso: O assistente financeiro de “Pink Narcissus” (não creditado no filme) foi o ator Bill Graham, falecido em 1991. Grahan é mais conhecido por integrar o elenco de filmes como “Muscle Beach Party/Quanto Mais Músculos Melhor” (1964) de William Asher, da série de filmes de praia estralados pela dupla Frankie Avalon e Annette Funicello; “Apocalypse Now” (1979) de Francis Ford Coppola, clássico de guerra que dispensa apresentações; e “The Doors” (1991) de Oliver Stone.
“Pink Narcissus” foi lançado em DVD pela distribuidora Cult Classic.

escrito por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Veja o trailer de “Pink Narcissus” aqui:

Inscreva seu Filme no Festival Autorock 2014

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , on junho 5, 2014 by canibuk

autoEm 2013 o Festival Autorock (Campinas/SP), com curadoria de Gurcius Gewdner, exibiu 43 filmes em 5 dias. Foram maravilhas como “United Trash” de Christopher Schlingensief, “Desagradável” de Fernando Rick, “O Coelho” de Elloi Mattar, “The Mongreloid” de George Kuchar, “Zombio 2″, entre vários outros filmes imperdíveis. Confira os filmes que foram exibidos aqui na Bulhorgia.

Este ano a curadoria dos filmes está por minha conta e estou abrindo a possibilidade de cineastas independentes inscreverem seus filmes para possível seleção. Para tanto, mandem-me suas produções até dia 25 de julho e estarei assistindo todos os filmes para selecionar os mais degenerados/retardados e incríveis para alegrar o público cinéfilo do Autorock deste ano que vai acontecer em setembro no MIS de Campinas/SP.

Mande seu filme, em DVD, para:

Petter Baiestorf

Av. Brasil 1129, sala “A”

Centro

Palmitos/SC

89887-000

Dangerous Glitter

Posted in Livro, Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 26, 2014 by canibuk

“Dangerous Glitter – Como David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop foram ao Inferno e Salvaram o Rock’n’Roll” (2009, 400 páginas, editora Veneta) de Dave Thompson.

Dangerous GlitterNovamente a editora Veneta surpreende com um lançamento imperdível aos amantes da boa música (e suas histórias inacreditavelmente hilárias). “Dangerous Glitter” conta a história de “quando Lou Reed e Iggy Pop se encontraram pela primeira vez com David Bowie no final de 1971, (quando) Bowie era apenas mais um músico inglês passando por New York, Lou ainda estava se recuperando do colapso do Velvet Underground e Iggy já estava classificado como um perdedor.”

BowieAos moldes do “Mate-me, Por Favor”, de Larry McNeil e Gilliam McCain, “Dangerous Glitter” destaca a importância do artista plástico Andy Warhol para a cena underground nova-iorquina (e mundial, já que todo mundo imita New York) e a influência de Nico sobre as personalidades dos três menininhos assustados (apesar do livro não ser sobre Nico fica bem claro o quanto ela foi importante para Bowie, Reed e Pop). No livro somos apresentados à três artistas tímidos que se tornaram (a base de muita grana investida em suas imagens) as lendas conhecidas de hoje, desmitificados pelo autor Dave Thompson (todo mito não passa de um humano normal cheio de medos e inseguranças). É um mergulho alucinante pelo mundo dos anos de 1960/1970 quando a cena musical mundial produzia obras ricas em criatividade e ousadia.

LouEntre inúmeras histórias saborosas ficamos sabendo como David Bowie gastou 400 mil dólares na sua primeira turnê americana (e arrecadou míseros 100 mil dólares), como Iggy Pop se tornou o enfurecido vocalista com toques de escatologia que impressionaram muitos moleques do mundo a fora (GG Allin estava entre eles, com certeza), como Lou Reed quase abandonou sua vida de rockstar após sair do Velvel Underground, como Nico afundou sua carreira nas drogas e Tony Defries, o advogado rockstar, se tornou uma espécie de Allen Klein do rock’n’roll e criou David Bowie como os fãs do camaleão o conhecem hoje.

IggyDave Thompson, o autor, já escreveu mais de 100 livros que, geralmente, lidam com música pop, rock’n’roll, cinema ou erotismo. Nasceu em Devon (Devonshire, Inglaterra) e iniciou sua carreira jornalística editando um fanzine sobre a cena punk londrina dos anos de 1970, o que lhe valeu convites para escrever em revistas como “Melody Maker”, “Rolling Stone”, Mojo, entre outras. Outros livros de Thompson sobre David Bowie incluem “Moonage Daydream” (1987) e “Hallo Spaceboy” (2006).

Fica a dica deste ótimo livro que a editora Veneta acabou de lançar. “Dangerous Glitter” custa R$ 79.90 e pode ser adquirido em lojas virtuais como Saraiva ou Livraria Cultural.

Petter Baiestorf.

Filmes com David Bowie (veja alguns trailers):

Filmes com Iggy Pop (veja alguns trailers):

Filmes com Lou Reed (veja alguns trailers):

Rudolf Macho Magazine

Posted in Arte Erótica, Bizarro, erótico, Fotografia, Putaria with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 25, 2014 by canibuk

Ontem eu estava procurando a biografia do Edgar Allan Poe (que tenho guardada numa caixa embaixo da cama) e na minha procura encontrei a revista “Rudolf” (Macho Magazine) que era dos meus tempos de guri. Dei fim da busca pela biografia do Poe e corri aqui digitalizar a “Rudolf” número 1 (editora Ki-Bancas Ltda.) para disponibilizar ela aqui no Canibuk. Achei, também, algumas outras revistas eróticas na mesma caixa e as digitalizarei/postarei mais no futuro.

Boas punhetas com a “Rudolf”, era a pornografia que existia antes da era internet, bateu maior nostalgia!

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Baratão 66 e outros Lançamentos da Pitomba

Posted in Fotografia, Fotonovela, Literatura, Livro, Quadrinhos, revistas independentes brasileiras with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 10, 2014 by canibuk

O final de 2013 trouxe para o público de quadrinhos brasileiros várias ótimas obras. E a editora Pitomba, em parceria com a revista Beleléu, se encarregaram de pelo menos um lançamento obrigatório, “Baratão 66″, fruto de uma bem-vinda parceria entre Bruno Azevêdo e Luciano Irthum. Pitomba surgiu em 2009 e se tornou a editora marginal mais ativa de São Luís/MA. E a Beleléu é um selo do Rio de Janeiro/RJ.

Baratão1“Baratão 66″ (180 páginas), de Bruno Azevêdo e Luciano Irrthum. Este trabalho da dupla Bruno/Luciano (dois apaixonados por personagens marginalizadas) é um mergulho pela difícil vida fácil das putas de cidadezinhas brasileiras onde, invariavelmente, políticos, policiais, padres, pastores, empresários, fazendeiros e outros coronéis de todos os calibres orquestram arranjos em prol da saúde de seus próprios bolsos, mostrando o quanto as putas podem interferir na política local (o que nunca é uma má interferência, já que puta são muito mais humanas do que essa corja de bandidos engravatados-fardados-fantasiados). Aliás, puteiros fazem parte da cultura nacional tanto quanto samba e bunda (o que não é ruim, antes um povo com a cultura da bunda do que das armas, por exemplo), é muito comum os poderosos locais terem uma amante por pura questão de status, uma espécie de troféu para mostrar aos amiguinhos. E putas são compreensivas, são mulheres sofridas que entendem (e perdoam) qualquer falha de caráter que prefeitos, delegados, padres, seu vizinho (eu e você) possam ter. Como fã de cinema, ao ler o saboroso “Baratão 66″ me deleitei com os paralelos do roteiro de Bruno com o filme “Amor Estranho Amor” (1982) de Walter Hugo Khouri (sim, “Amor Estranho Amor” é o famoso pornô da Xuxa , que de pornô não tem nada, já que sua história gira em torno de um bordel de luxo que atende os desejos mais molhados da elite política brasileira para falar de política brasileira). Claro que, para nossa sorte e tendo em mente que Bruno e Luciano são crias do underground, aqui é tudo mais debochado e divertido do que o intelectualizado Khouri. Me foi impossível saborear do “Baratão” sem imaginá-lo como um storyboard já pronto para ser filmado. “Baratão” ainda fala sobre os produtores picaretas de cultura que acham que suas “obras-primas” devem ser bancadas pelo governo (porque mamar todo mundo quer e um grande viva a quem consegue). E a exemplo da política nacional, “Baratão 66″ tem uma linda história de amor cafajeste onde tudo acaba bem, com suas transviadas personagens encontrando a tão sonhada liberdade (nem que para isso seja necessário derramar algumas lágrimas, sangue e gasolina). “Baratão” é cu e buceta, ou seja, diversão total. Tive o privilégio de escrever o posfácio deste álbum, que custa R$ 30.00 e pode ser adquirido pelo site http://www.pitomba.iluria.com ou comigo pelo e-mail baiestorf@yahoo.com.br.

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Intrusa“A Intrusa” (165 páginas) de Bruno Azevêdo. Segundo Xico Sá, “Um folhetim em chamas capaz de tostar raparigas em flor. Um erotismo de banca capaz de reverter a mais enjoada das menopausas de todos os caritós. A Intrusa é fogo en las entranhas da frígida e solene literatura contemporaneazinha. O Monstro Bruno Azevêdo , este papaléguas, alcança, com este volume que ora lateja nas mãos da mulher moderna, a condição do nosso melhor escritor pícaro-mexicano. Que outro seria capaz de erotizar o tilintar dos duralex? A pia de louça por testemunha de um tórrido amor engordurado. “Temperamento latino é fuego”, já dizia, na subida do morro, o velho Morengueira”. “A Intrusa” traz ainda ilustrações de Eduardo Arruda, um dos criadores da revista Beleléu, e a capa do livro é de autoria de Frédéric Boilét, autor de “Garotas de Tokyo”. Apesar de estar com o livro aqui em casa, em virtude das milhares de coisas que faço tudo ao mesmo tempo, ainda não consegui tirar um tempo para lê-lo com calma.

Isabel“Isabel Comics!” (Ano 2, 56 páginas) de Bruno Azevêdo e Karla Freire. Este trabalho do casal Bruno e Karla é de extrema importância para sua pequena filha Isabel, que quando crescer vai ter um registro incondicional do amor de seus pais ao poder se “ver” com dois anos de idade, se divertindo em família. Achei o registro uma ideia fantástica, daquele tipo que outros pais apaixonados por seus filhos irão adorar e se identificar. Em fotos e textos dos criativos papais ficamos sabendo da movimentada vida de criança da filhinha Isabel em uma agitada fotonovela. Confesso que não sou o público certo para este pequeno livrinho, mas quem é pai/mãe, ou quer ser pai/mãe, creio que vai amar esta linda declaração de amor. Este livrinho, assim como “A Intrusa”, podem ser adquiridos no site http://www.pitomba.iluria.com.

dicas de Petter Baiestorf.

Onde Enfiar

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , on janeiro 8, 2014 by canibuk

não me culpe se seu carro quebra na rodovia.

não me culpe se sua mulher vai embora.

não me culpe se você foi para a guerra e descobriu que pessoas matam.

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não me culpe por você ter assassinado 4 anos votando no cara errado.

não me culpe por a transa às vezes falhar.

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não me culpe se eu não atendo o telefone e não consigo assistir tv.

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não me culpe pelo seu pai.

não me culpe pela igreja da esquina.

não me culpe pela bomba de hidrogênio.

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me culpe se você estiver lendo isto.

não me culpe se você não entender.

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não me culpe pelo mundo fervilhando de assassinos.

não me culpe se você é um deles.

culpe seu pai.

culpe a igreja da esquina.

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não me culpe pelo natal ou o feriado da independência.

culpe qualquer fudido que você quiser mas não me culpe.

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não me culpe pelos sem-teto.

não me culpe por 162 jogos de beisebol todo ano.

não me culpe pelo basquete.

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não me culpe por não querer entrar em elevadores cheios de gente.

não me culpe por não ter um herói.

não me culpe por não criar um.

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não me culpe por ficar aturdido com a risada das massas.

não me culpe por rir sozinho.

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não me culpe pelo enjaulamento do tigre.

me culpe por que minha morte não será temível.

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mas não culpe a si mesmo.

escrito por Charles Bukowski, “Á Toa em San Pedro”, Spectro Editora.

a toa em san pedro

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