Travessia

Postado em Quadrinhos com as tags , , , , , , , , em junho 2, 2012 por canibuk

Nos últimos anos da década de 1980 a editora Abril lançou uma revista em quadrinhos que imitava a clássica “Heavy Metal” intitulada “Aventura & Ficção”, achei a número 20 (de novembro de 1989) perdida aqui em casa e resolvi digitalizar essa HQ do desenhista Salvador (com colaboração de Elaine) chamada “Travessia” que eu sempre achei muito interessante e profunda sobre as pequenas coisas que o homem não consegue explicar.

Queen Kong

Postado em Cinema com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em junho 1, 2012 por canibuk

“Queen Kong” (ou “Queen Gorilla”, 1976, 87 min.) de Frank Agrama. Com: Robin Askwith, Rula Lenska e John Clive.

Na ânsia de lucrarem alguns poucos dólares, produtores de filmes exploitations sempre caçaram assuntos/temas em evidência para fazer de seus pequenos filmes baratos, grandes negócios lucrativos. Em 1976 o produtor Dino De Laurentiis lançou o remake de “King Kong” (1933) e Frank Agrama rapidamente lançou este hilário “Queen Kong” (que nunca foi lançado no Reino Unido devido a uma ação legal movida por De Laurentiis contra a imitação de Agrama), objeto de culto no Japão, onde o filme foi completamente redublado por comediantes japoneses para ficar ainda mais mongol. Aliás, os japoneses são tão fanáticos por King Kong que é da produção nipônica que vem “Wasei Kingu Kongu” (1933) de Torajiro Saito, um curta-metragem feito no mesmo ano do clássico de Cooper & Schoedsack e que hoje é considerado perdido (numa época foi sugerido que o filme se perdeu após os bombardeios atômicos de 1945, pronto, já deu prá entender porque USA quis tanto testar a bomba nuclear contra os japoneses); Ainda nos anos 30 os japoneses fizeram outro filme com o Kong, “Edo ni Arawareta Kingu Kongu: Henge no Maki/King Kong Appears in Edo” (1938) de Sôya Kumagai também foi produzido sem autorização da RKO Radio Pictures e mostra King Kong atacando no Japão medieval, hoje é considerado perdido também; Em 1962 a Toho Studios promoveu a luta do século em “Kingu Kongu tai Gojira/King Kong Vs. Godzilla”, dirigido pelo mestre Ishirô Honda, que também dirigiu “Kingu Kongu no Gyakushû/King Kong Escapes” (1967), onde Kong luta contra um robô gigante. Graças aos japoneses o grande macacão tarado se manteve sempre em evidência (os Shaw Brothers também contribuíram para o mito de Kong, saiba mais lendo o artigo “Evelyne e o King Hong Kong” de nosso colaborador Coffin Souza).

“Queen Kong” é uma paródia “cena por cena” do King Kong original, mas com todo o cinismo e sarcasmo dos anos 70. A produção do filme é bem pobre, as nativas da ilha de “Konga” usam um figurino colorido que parece roubado de alguma escola de samba aqui do Brasil, a fantasia da gorila é feia e desajeitada, o dinossauro com quem ela luta (foto acima) é um dos piores que já vi, as maquetes são grosseiras e os efeitos especiais mal elaborados; isso, combinado à interpretações canastronas e um roteiro cara de pau, transforma  o filme de Agrama numa grande curtição que nunca se leva a sério e tira proveito de suas próprias deficiências, enfim, um ótimo candidato para ser exibibido aos amigos acompanhado, lógico, de pizzas e caixas e mais caixas de cerveja.

Frank Agrama, o produtor/diretor por trás do filme, é um egípcio cheio de energia para empreitadas duvidosas (na Itália ele tem mais de dez processos correndo na justiça por fraudes fiscais). Em 1965 dirigiu “El Ainab el Murr” e tomou gosto pela coisa. Seus filmes seguintes não chegaram ao ocidente (leia-se Europa e USA) e fomos privados de títulos como “Toufan Bar Farase Petra” (1968) e “Bazy-E-Shance” (1968), filme onde se tornou, além de diretor, produtor de seus próprios projetos. Em 1972 escreveu, produziu e dirigiu o thriller “L’Amico del Padrino” em associação com produtores italianos, que foi estrelado por Erika Blanc (atriz do clássico cult “Operazione Paura/Kill, Baby, Kill!” (1966) de Mario Bava). Assim conseguiu chamar atenção na Europa e seu próximo filme, “Essabet el Nissae” (1973) foi estrelado por ninguém menos que o superstar turco Cüneyt Arkin (que foi ator em mais de 270 filmes, entre eles os clássicos “Kara Murat Ölüm Emri” (1974) de Natuk Baytan e “Dünyayi Kurtaran Adam” (1982) de Çetin Inanç, a versão turca de “Star Wars” que coloca o filme de George Lucas no chinelo). Seu filme mais popular como diretor é “Dawn of the Mummy” (1981), sobre modelos sendo atacadas por uma múmia com alguns ótimos momentos gore. Nos anos 80 Agrama passou apenas a produzir e ganhou certa fama com a série “Robotech”, que depois virou video game de sucesso.

O ator Robin Askwith, que em “Queen Kong” interpreta Ray Fay (trocadilho idiota com o nome de Fay Wray, estrela do Kong original), é um comediante inglês que geralmente fazia comédias sexuais como “Bless This House” (1972) de Gerald Thomas e “Cool It Carol!” (1972) de Pete Walker, ou filmes de horror como “Tower of Evil” (1972) de Jim O’Connolly, “The Flesh and Blood Show” (1972) também de Pete Walker ou seu filme mais famoso, o cult “Horror Hospital” (1973) dirigido pelo maluco Antony Balch. Em 1999 a editora Ebury Press lançou sua autobiografia “The Confessions of Robin Askwith”, infelizmente inédita no Brasil. John Clive, que também paga mico em “Queen Kong”, tem em sua filmografia grandes clássicos do cinema: “Yellow Submarine” (1968) de George Dunning, onde faz a voz de John; “The Italian Job” (1969) de Peter Collinson, onde ladrões ingleses planejam um assalto na Itália e “A Clockwork Orange/Laranja Mecânica” (1971) de Stanley Kubrick, um dos melhores filmes já produzidos pelo cinema mundial.

por Petter Baiestorf.

frame de “Wasei Kingu Kongu” (1933).

William Seabrook e as Delícias da Culinária Canibal

Postado em Bizarro, canibalismo com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em maio 31, 2012 por canibuk

William Seabrook Buehler, nascido dia 22 de fevereiro de 1884 em Westminster, Maryland, foi um jornalista explorador obcecado por descobrir (e relatar) culturas desconhecidas para o público branco médio dos USA numa época em que a informação dependia de jornalistas corajosos e criativos (diferente dos dias atuais em que essa profissão foi dominada por jovens preguiçosos/acomodados que fazem o que seu dono manda). Dado à aventuras, em 1915 se juntou ao exército francês na Primeira Guerra Mundial e, no ano seguinte durante a batalha de Verdun, foi intoxicado por gás alemão. Quando voltou aos Estados Unidos, cheio de cicatrizes e histórias, conseguiu emprego no jornal The New York Times e começou a viajar pelo mundo em busca de histórias de culturas desconhecidas.

Fascinado por ocultismo e satanismo, Seabrook passou uma semana com o charlatão Aleister Crowley no outono de 1919. Crowley vinha de uma família rica e na falta do que fazer espantava o tédio criando textinhos esotéricos para impressionar ricos como ele próprio. Em 1904 ele “recebeu” de “entidades espirituais” o livro “The Book of the Law” (“O Livro da Lei”, muito plagiado por Paulo Coelho e Raul Seixas nos anos 70). Também era pansexual e experimentador de qualquer tipo de drogas naturais ou sintéticas e a farra com Seabrook deve ter sido ótima, já que nosso explorador também era chegado numa boa festa com putaria e drogas. O fato é que este encontro entre duas personalidades tão originais rendeu o livro “Witchcraft: Its Power in the World Today”, onde Seabrook narra este encontro.

Logo se interessou pelas práticas do vodu haitiano e viajou para lá a fim de realizar suas próprias experiências. Jamie Russell em seu livro “The Book of the Dead” (Editora Barba Negra) nos conta que Seabrook foi apresentado aos zumbis haitianos por um fazendeiro local e logo reparou que estes zumbis são “frutos da crença religiosa que domina a ilha, símbolo poderoso do medo, da desgraça e perdição”. Essa viagem resultou no livro “The Magic Island” (“A Ilha da Magia”, 1929, nada a ver com a ilha de Florianópolis, também conhecida como a Ilha da Magia, lógico!) onde o pesquisador descreve os zumbis como “um cadáver humano sem alma, ainda morto, mas tirado do túmulo e mantido por feitiçaria com um semblante mecânico de vida – é um corpo que se faz andar e agir e mexer como se estivesse vivo”. O público americano foi ao delírio, na época, com os relatos emocionates e tétricos desta aventura de Seabrook. Este livro é o responsável por introduzir o conceito “zumbi” na cultura popular e serviu de inspiração para o roteiro de “White Zombie/Zumbi Branco” (1932) de Victor Halperin, estrelado por Bela Lugosi e com momentos bem divertidos.

Cada vez mais sedento por novas aventuras, se recusou a escrever sobre canibalismo até que conseguisse provar ele mesmo a carne humana. Durante uma viagem pela África Ocidental conviveu com uma tribo conhecida como Guere onde pediu ao chefe que gosto tinha a carne humana e, diante de sua insatisfação ao ouvir a descrição do chefe tribal, saiu de lá com a certeza de que experimentaria ele próprio o gosto da carne humana. Pouco tempo depois subornou um servente de um hospital de Paris para que lhe conseguisse um quilo de carne humana, logo em seguida deu entrada o cadáver de um operário que havia sido atropelado e Seabrook conseguiu sua preciosa iguaria. Correu para o apartamento de um amigo e convenceu a cozinheira da casa a assar, grelhar e cozinhar aquele estranho tipo de carne de “bode selvagem” (nome que usou para a cozinheira) que até então ninguém havia comido. Enquanto experimentava a carne humana fez minuciosas anotações onde a comparava com carne de porco e sentiu a necessidade de mais tempero. Escreveu: “Carne leve, boa, sem gosto bem definido. Não muito duro ou pegajoso, uma carne agradável e de excelente paladar!”. Fica a dica!

Man Ray, fotografo e diretor de vários curtas surrealistas como o clássico “Le Retour à La Raison” (1923), relatou que Seabrook pediu para que ele cuidasse seu apartamento uma tarde. Ao chegar lá o fotografo encontrou uma garota nua acorrentada ao pilar da escadaria com um cadeado e instruções para não ser desamarrada pois estava recebendo muito bem por aquele serviço. Seabrook era um sádico sexual dado a cultivar práticas de sexo bizarro gostoso. Diz a lenda que circula em torno de sua figura, que quando viajava uma de suas malas estava sempre cheia de chicotes e correntes para satisfazer suas fantasias sexuais.

No final de 1933 foi internado na instituição mental de Westchester County para tratamento de alcoolismo, onde permaneceu internado durante quase seis meses e, em 1935, publicou “Asylum”, livro onde relatou suas experiências no hospício e que acabou se tornando um best seller. Ainda em 1935 se casou com Marjorie Muir Worthington, uma escritora com mais de 15 livros publicados, incluíndo “The Strange World of Willie Seabrook” (1966). O casamento durou somente até 1941 por culpa do alcoolismo de William e seu comportamento cada vez mais sádico nas diversões sexuais do casal. Em 1961 foi produzido o telefilme “Witchcraft” de Harold Young, com inspirações nos estudos ocultistas de William, filme este que infelizmente ainda não consegui assistir.

Em 1945, no dia 20 de setembro, cometeu suicídio por overdose de drogas. No final da vida costumava afirmar que “não havia visto nada que não têm uma explicação racional e científica”. Em tempos que o cinema americano se encontra tão sem idéias, seria lindo ver uma produção bem feita sobre a vida de Seabrook e suas descobertas macabras.

Receita de Carne Humana Agridoce

Ingredientes:

600 g de carne humana cortada em cubinhos de 2cm

1/2 xícara (chá) de farinha de trigo

1 ovo

1/2 xícara (chá) de açúcar

1/2 xícara (chá) de vinagre

1/3 xícara (chá) de suco de abacaxi

1/4 xícara (chá) de catchup

1 colher (chá) de molho de soja

2 colheres (sopa) de maizena

2 colheres (sopa) de água

1 xícara (chá) de pedacinhos de abacaxi em calda, escorrido

1 pimentão verde cortado em pedaços de 1cm

Óleo para fritar

Sal e pimenta-do-reino a gosto.

Modo de Preparo:

Misture a farinha e o sal. Passe a carne humana no ovo batido e depois na mistura de farinha, até que os pedaços estejam bem cobertos. Frite a carne numa frigideira em bastante óleo quente por 6 a 8 minutos, ou até que fique bem dourada. Retire, escorra e reserve mantendo quente. Em uma panela funda, misture o açucar, o vinagre, o suco de abacaxi, o catchup e o molho de soja e pimenta-do-reino, se desejar. Leve ao fogo e deixe levantar fervura. Misture a maizena com água e adicione ao molho, mexendo sempre. Continue cozinhando até que o molho engrosse. Reserve. Junte ao molho a carne humana quente, os cubinhos de abacaxi e os pedaços de pimentão. Esquente outra vez, mexendo sem parar, por cinco minutos. Sirva enquanto quente, acompanhado de arroz.

* IMPORTANTE: Como Seabrook nos ensinou, não faça este prato em casa, faça-o na casa de algum amigo sem nada falar. Como sou vegetariano não testei este prato.

The Werewolf of Washington

Postado em Cinema com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em maio 30, 2012 por canibuk

“The Werewolf of Washington” (“O Lobisomem de Washington”, 1973, 90 min.) de Milton Moses Ginsberg. Com: Dead Stockwell, Katalin Kallay e Biff McGuire.

Todos que acompanham diariamente o Canibuk sabem de minha paixão por filmes trash (sou um defensor e divulgador do “gênero”), eis que finalmente tirei tempo para assistir “The Werewolf of Washington”, simplesmente um dos piores filmes que já vi, no patamar de produções pavorosas como “Zombie Brigade/A Terrível Noite do Espanto” (1986) de Carmelo Musca e Barrie Pattison ou “The Lost Platoon/Pelotão Vampiro” (1991) de David A. Prior. A história do lobisomem de Washington começa (mal iluminado) na Hungria onde nosso jornalista herói (Dean Stockwell) é atacado por um lobisomem que lhe passa a maldição dos peludos. De volta aos USA descobrimos que o jornalista é assessor de imprensa do presidente americano. Apartir daí o roteiro vai ficando cada vez mais cômico, mostrando o lobisomem letrado atacando desafetos do presidente em cenas do mais completo absurdo, como quando estripa a esposa bêbada de um senador que foi embora de uma festa na Casa Branca caminhando (ora bolas, que esposa de senador iria embora caminhando e, ainda por cima, sozinha?). Aliás, cenas ridículas em tom de comédia pastelão dão o rumo desta ruindade cinematográfica: Numa cena o lobisomem pega carona no teto do carro de sua vítima; noutra cenas os dedos do lobisomem incham dentro dos buracos de uma bola de boliche e ele não consegue se livrar da bola nem com ajuda do presidente da nação mais poderosa da Terra; pouco depois, na sala de reuniões da Casa Branca, o jornalista começa a se transformar diante de militares e políticos e sai correndo da sala sem que ninguém perceba o que está acontecendo; nums das correrias do lobisomem ele encontra um cientista anão que claramente mantêm um projeto secreto com monstros no porão da Casa Branca (percebam os pés do Frankenstein em cena); o jornalista amarrado numa cadeira com inúmeras correntes cadeadas enquanto fala com a filha do presidente, sua paquera, é genial e sua transformação fajuta dentro do helicóptero presidencial (o que leva o filme à um final ótimo) é um grande momento da sétima arte que somente a cabeça de jerico de cineastas bagaceiros poderiam conceber.

Essa diversão em forma de película foi realizada por Milton Moses Ginsberg, novaioquino de 1943, cujo primeiro trabalho de direção foi o cult “Coming Apart” (1969), drama estrelado por Rip Torn no papel do psiquiatra que filma seus encontros com as mulheres que o visitam. “The Werewolf of Washington” meio que sepultou sua carreira de diretor por conta da ruindade técnica do filme, apenas em 1999 ele voltou à direção com “The City Below the Line”, seguido pelo também curta “The Haloed Bird” (2001) e “Kron” (2011), um média-metragem. A biografia de Ginsberg diz que ele se retirou da indústria cinematográfica após ter sido diagnosticado de um linfoma em 1975, mas sua carreira como montador de filmes como montador de filmes que seguiu em paralelo à doença me fazem pensar que seu Lobisomem de Washington teve alguma coisa haver com o afastamento. Uma pena, já que seu filme de lobisomem é uma curiosa sátira política que brincava com a era Nixon, com o fascismo policial dos anos 70 anti-hippies e o escândalo Watergate.

Dead Stockwell foi ator mirim em filmes como “The Green Years” (1946) de Victor Saville, “The Boy With Green Hair/O Menino dos Cabelos Verdes” (1948) de Joseph Losey e “The Secret Garden/O Jardim Secreto” (1949) com direção de Fred M. Wilcox, responsável também pela direção do clássico sci-fi “Forbidden Planet/O Planeta Proibido” (1956). No início dos anos 60 desistiu da carreira e se tornou hippie. Nos anos 80 trabalhou em alguns cults como “Paris, Texas” (1984) de Wim Wenders e “Blue Velvet (1986) de David Lynch. O Produtor associado de “The Werewolf of Washington” é Stephen A. Miller, que anos depois escreveu (em parceria com John Beaird) o clássico slasher “My Bloody Valentine/Dia dos Namorados Macabro” (1981) de George Mihalka.

Aqui no Brasil “The Werewolf of Washington” foi lançado em DVD pela distribuidora/editora digital Showtime com “Seddok, L’Erede di Satana/Atom Age Vampire/O Vampiro da Era Atômica” (1960) de Anton Giulio Majano e “Grave of the Vampire/O Túmulo do Vampiro” (1974) de John Hayes no mesmo DVD. A qualidade dos filmes é péssima, mas o valor de R$ 7.90 que paguei pelo DVD compensa.

por Petter Baiestorf.

Assista este clássico bagaceiro agora:

Alguns momentos hilários de “The Werewolf of Washington”:

Guernica Revisitada

Postado em Literatura com as tags , , , , , , em maio 29, 2012 por canibuk

Anêmicos

tons pastéis

Marrons

brotam os perfis

(esquálidos)

Escuras

fendas abertas

(bocas)

.

- Um grito que não se calou -

.

Guernica

chaga exposta

sem cura

nem retoques

.

“Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura… se é verdade

Tanto horror perante os céus!”

.

Guernica

alegoria

simbologia/expressionismo

barroco-surreal?

.

Nem Deus

Só o diabo

na tela sem sol.

poesia de Iracema M. Régis (poema classificado em primeiro lugar no Concurso Mapa Cultural Paulista, 2005; Seleção de colaborações para o folheto poético “Urtiga”, 2005).

Ilustração de Michel, 2004.

Poppin Cherry – Omitto San Episode 1

Postado em Putaria, Quadrinhos com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em maio 28, 2012 por canibuk

Postando o primeiro episódio de “Omitto San”, HQ de sacanagem japonesa. Os próximo episódios vamos postar devagar, dando seqüência a série.

Hard Rock Zombies

Postado em Cinema, Soundtracks com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em maio 27, 2012 por canibuk

“Hard Rock Zombies” (1985, 98 min.) de Krishna Shah. Com: E.J. Curcio, Geno Andrews, Sam Mann, Mick Manz, Lisa Toothman, Jack Bliesener e Phil Fondacaro.

Lá por 1989 eu vi na TV um filme chamado “American Drive-In” (1985), que depois descobri ser dirigido por Krishna Shah, uma comédia adolescente que imitava “American Graffiti/Loucuras de Verão” (1973, Universal Home Video) de George Lucas. O filme do indiano Shah era muito mais divertido do que o de Lucas e no filme exibido na tela do Drive-in americano em questão, pipocavam umas intrigantes cenas de um anão deformado se auto-devorando e de outro anão zumbi maluco tentando comer uma vaca viva. Por anos fiquei tentando saber mais sobre o filme até que um dia, sem querer, encontrei numa locadora o filme “Hard Rock Zombies” e, para minha surpresa, era o filme que era projetado naquele divertido “American Drive-In”. “Hard Rock Zombies” se tornou meu trash-movie de estimação e foi uma grande influência para mim quando filmei “Criaturas Hediondas” (1993).

Como não gostar de um filme que tem hard rock farofa grudento e completamente brega, Hitler casado com uma Eva Braun lobiswoman, anões tarados, zumbis mongolóides, humor retardado na linha do genial “Attack of the Killer Tomatoes/O Ataque dos Tomates Assassinos” (1978) de John DeBello, anão deformado comendo sua própria carne com saleiro e colherzinha, entre muitas outras cenas hilárias. A história do filme (que tem um roteiro do próprio diretor em parceria com David Allen Ball, bagunçado e bem confuso) é mais ou menos assim: Depois de um show onde nossa banda de hard rock tem a dura obrigação de tirar fotos com meninas, eles partem para Grand Guignol, uma pequena cidadezinha que não gosta de hard rock e cabeludos abusados. No caminho Jesse (interpretado por E.J. Curcio), líder da banda, compõe uma música que ressuscita os mortos (provado na hora por um mosquito que é morto e ressuscita dentro da van onde eles viajavam). No caminho eles dão carona à uma loira fatal e são convidados para ficar na mansão da família dela, onde descobrimos que Hitler, então com 95 anos e ainda traçando Eva Braun com grande categoria, está vivo e, com ajuda de seus netos anões, tem um novo grande plano de dominação da América.

“Hard Rock Zombies” é um filme que defende o rock’n'roll, mostra a sociedade das pequenas cidadezinhas como um bando de caipiras fascistas com medo do que não conhecem. Este filme tem muitas cenas memoráveis: O anão deformado se auto-devorando é a melhor cena de “Hard Rock Zombies, o outro anão tentando comer uma vaca também é divertida, a banda transformada em zumbis (que caminham dando passinhos de dança) fazendo um show para o olheiro de uma grande gravadora, todos os números musicais, a garota atrás da cabeça decepada de seu namorado, o plano para escapar dos zumbis envolvendo cartazes com grandes cabeças de ídolos americanos (Jimi Hendrix, Marilyn Monroe, Elvis Presley, entre outros), as mortes mal filmadas, os membros decepados claramente de látex, a virgem que é dada aos zumbis como se fosse uma oferenda de um ritual religioso primata, os zumbis sendo mortos numa câmera de gás colorido, e muito mais, fazem deste filme o clássico bagaceiro que se tornou.

A trilha sonora do filme é uma delícia de tão grudenta, todos os sons foram compostos por Paul Sabu inspiradíssimo. Sua banda Only Child fez relativo sucesso nos anos de 1980, mas foi como músico de apoio de estrelas como David Bowie e Alice Cooper que Sabu ganhou dinheiro. Sua música aparece na trilha de vários filmes, como “Ghoulies 2″ (1988) de Albert Band (com produção de seu picareta filho Charles Band), “Meatballs 4″ (1992) de Bob Logan e “To Die For/Um Sonho Sem Limites” (1995) de Gus van Sant (que conta com uma participação especial de David Cronenberg em divertido papel). Sabu já ganhou o prêmio Emmy, uma pequena mancha na carreira do compositor da trilha sonora de “Hard Rock Zombies”.

Krishna Shah nasceu na Índia mas, após graduação em Yale e UCLA, começou a trabalhar em peças de teatro da Broadway. Em 1972 realizou seu primeiro filme, “Rivals”, um drama psicológico que é tido como um clássico do gênero (ainda não assisti). Seu filme seguinte, “The River Niger” (1976), estrelado por Cicely Tyson, James Earl Jones e Louis Gossett Jr., ganhou vários prêmios e o levou a dirigir “Shalimar” (1978), uma aventura estrelada por John Saxon e filmada em sua terra natal. Com “Cinema Cinema” (1979) realizou um documentário sobre o cinema indiano. Aí algo saiu errado e Shah fez simultaneamente os dois trash-movies, “American Drive-In” e “Hard Rock Zombies”, clássicos da bagaceirada cinematográfica que o mantiveram afastado da direção até 2011, quando voltou a função com a série de TV “Dance India Dance Doubles”.

Os efeitos especiais de “Hard Rock Zombies” (e também a direção da equipe de segunda unidade) são de John Carl Buechler, nascido em Belleville, Illinois, fez sua estréia em 1978 no departamento de maquiagens do filme “Stingray” de Richard Taylor. Em 1980 trabalhou na comédia fantástica “Dr. Heckyl and Mr. Hype” de Charles B. Griffith já no departamento de efeitos especiais. Com Roger Corman trabalhou em alguns filmes divertidos como “Forbidden World/Mutant” (1982) de Allan Holzman com roteiro de Tim Curnen inspirado numa história de Jim Wynorski e R.J. Robertson. Fez sua estréia na direção de um segmento no filme em episódios “Ragewar” (1984), que também trazia episódios de cineastas como Dave Allen, Charles Band, Steven Ford, Peter Manoogian, Ted Nicolaou e Rosemarie Turko. Sua primeira direção solo foi com o incrivelmente ruim “Troll” (1986), seguido do mais ruim ainda “Cellar Dweller/O Monstro Canibal” (1988) e seu filme mais conhecido: “Friday the 13th part VII: The New Blood/Sexta-Feira 13 parte 7 – A Matança Continua” (1988), uma verdadeira inutilidade que não agrada nem aos fanáticos pela série do Jason. No total, até agora, Buechler já dirigiu/destruíu 17 filmes, incluindo um remake de “Troll” em fase de pré-produção mas que aposto que vai ficar pavoroso. Entre seus melhores trabalhos de efeitos especiais estão produções como “TerrorVision/A Visão do Terror” (1986) de Ted Nicolaou; “From Beyond/Do Além” (1986) de Stuart Gordon; “Slave Girls from Beyond Infinity/Rebelião nas Galáxias” (1987) de Ken Dixon, os três produções de Charles Band; “A Nightmare on Elm Street 4: The Dream Master/A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos” (1988) de Renny Harlin; “Bride of the Re-Animator/A Noiva de Re-Animator” (1990) de Brian Yuzna; “Carnosaur” (1993), uma produção de Roger Corman dirigida pela dupla Adam Simon e Darren Moloney; “Dinosaur Island” (1994) da dupla Fred Olen Ray e Jim Wynorski em uma produção de Corman reciclando o dinossauro usado em “Carnosaur”; e, “Bikini Drive-In” (1995), pequeno clássico inspirador de Fred Olen Ray.

Nos USA “Hard Rock Zombies” foi distribuido pela Cannon Group Inc.; aqui no Brasil saiu em VHS pela América Vídeo em 1988.

resenha de Petter Baiestorf.

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